A economia global está a passar por uma transformação estrutural sem precedentes, impulsionada pela aceleração da Inteligência Artificial, instabilidades geopolíticas e uma crescente necessidade de eficiência e resiliência. Neste cenário, os prestadores de serviços de Tecnologias de Informação (TI) estão a ser reavaliados, e Portugal surge como um potencial líder neste setor, exigindo visão e ambição.
Nos últimos dez anos, Portugal destacou-se como um destino atrativo para serviços globais de TI, beneficiando de um talento qualificado e de uma integração europeia sólida. Este posicionamento permitiu ao país atrair investimentos significativos e modernizar setores críticos da sua economia. Contudo, a competitividade atual vai além do custo e da escala; agora, é essencial gerar valor e ter um impacto mensurável nos negócios dos clientes, sejam eles multinacionais ou empresas nacionais.
O modelo tradicional baseado na eficiência operacional e no nearshore foi crucial para o crescimento do setor, mas apresenta limitações. As empresas procuram parceiros que compreendam o seu contexto e que sejam capazes de assumir responsabilidades pelos resultados. Esta exigência é comum a grandes organizações internacionais e à Administração Pública, que também enfrentam a pressão para se transformarem com eficiência.
Embora o talento continue a ser o principal ativo de Portugal, a sua escassez representa uma vulnerabilidade. A competição global está a aumentar, as pressões salariais estão a subir e a falta de perfis séniores limita tanto os projetos de exportação como a resposta ao mercado interno. Apesar de uma sólida base de formação técnica, existe um desequilíbrio entre talentos júnior e especialistas em áreas críticas como dados, cibersegurança e Inteligência Artificial aplicada. Sem um compromisso consistente com a requalificação e o desenvolvimento de carreira, Portugal corre o risco de fragilizar a sua competitividade.
O enquadramento regulatório europeu para a Inteligência Artificial traz complexidade, mas também oportunidades de diferenciação. À medida que a ética e a conformidade se tornam centrais, cresce a procura por parceiros que implementem tecnologia de forma responsável, especialmente em setores regulados.
Num ambiente internacional incerto, a previsibilidade institucional é fundamental. A estabilidade política e a maturidade do ecossistema tecnológico em Portugal aumentam a confiança dos clientes e sustentam investimentos em áreas como energia, mobilidade e saúde.
Portugal tem a oportunidade de consolidar o seu papel como prestador global de serviços de TI de alto valor. Este caminho exigirá decisões estratégicas e um investimento contínuo em talento e tecnologia. A tecnologia não substitui o valor humano; antes, desloca-o para funções mais analíticas e responsáveis. O sucesso dependerá da capacidade coletiva de avançar na cadeia de valor, tanto no mercado internacional como no nacional. O potencial é real, o desafio é significativo e o momento para agir é agora.
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Fonte: Sapo





