Recentemente, a China destacou-se em dois eventos significativos que marcam uma nova era nas relações internacionais. O 25º encontro do Conselho de Chefes de Estado da Organização de Cooperação de Xangai (SCO), realizado em Tianjin, e uma imponente parada militar em Pequim, revelam a crescente influência do país no cenário global.
No encontro da SCO, o presidente chinês, Xi Jinping, esteve acompanhado por líderes como o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi. A imagem dos três líderes sorridentes simboliza uma aliança estratégica, especialmente num momento em que Modi enfrenta tarifas elevadas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos indianos. Enquanto os EUA afastam a Índia, a China procura fortalecer laços, mesmo com as tensões existentes entre os dois países.
José Filipe Pinto, professor da Universidade Lusófona, analisa a situação, afirmando que a política externa de Donald Trump, marcada por coerção, tem levado aliados como a Índia a buscar novas parcerias. O encontro da SCO, que contou com a participação de 10 membros, 3 observadores e 12 países parceiros de diálogo, é um reflexo da crescente diversidade e colaboração entre nações asiáticas, do Médio Oriente, África e Europa.
Três dias depois, Xi Jinping organizou uma parada militar na Praça de Tiananmen, onde 12 mil soldados chineses e mil de 17 países desfilaram. Este evento não só demonstrou a força militar da China, com a apresentação de novas tecnologias, como também serviu para enviar uma mensagem clara ao Ocidente. A presença de Putin e do líder norte-coreano, Kim Jong-un, reforçou a ideia de uma nova aliança entre países frequentemente vistos como párias.
A reação de Donald Trump foi imediata, utilizando as redes sociais para criticar os líderes presentes, enquanto a União Europeia expressou preocupação com a postura de Xi. Contudo, a imagem que realmente destaca este evento é a de Xi a liderar uma coluna de chefes de Estado rumo a um banquete, onde se reconhecem líderes de várias nações, simbolizando uma unidade do Sul Global.
Este momento é crucial, pois a China está a assumir um papel de destaque por várias razões. Primeiro, a perceção do fim da hegemonia norte-americana permite à China passar da retórica à ação. Segundo, a necessidade de tranquilizar aliados sobre as intenções da China é fundamental. Por último, Pequim deseja que a sua modernização sirva de modelo para outros países do Sul Global.
A afirmação da China no cenário internacional vai além do poder económico, estendendo-se à diplomacia e mediação de conflitos. Pinto observa que estamos a assistir à construção de uma nova ordem global, onde parcerias com países em dificuldades, como a Índia, são cada vez mais comuns. A política errática dos EUA, sob a liderança de Trump, está a favorecer esta mudança, permitindo que novas ordens emergem e se consolidem.
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Fonte: Sapo





