O conflito entre os Estados Unidos e o Irão, que se intensificou com o ataque norte-americano em junho de 2025, levanta questões profundas sobre os verdadeiros motivos por trás das ações de Washington. Desde a revolução islâmica de 1979, que depôs o Xá Reza Pahlavi, as tensões entre os dois países têm sido marcadas por uma luta pelo controlo dos recursos naturais, especialmente o petróleo.
As autoridades norte-americanas têm frequentemente apresentado as suas intervenções como um esforço para promover a democracia e libertar o povo iraniano de um regime opressor. No entanto, muitos analistas acreditam que o verdadeiro objetivo é garantir o acesso a recursos estratégicos e estabelecer um governo que seja mais favorável aos interesses dos EUA e de Israel. O Irão, ao nacionalizar as suas empresas petrolíferas, tornou-se um alvo, pois os EUA preferem um regime que permita a exploração dos seus recursos por companhias norte-americanas.
A história recente mostra que os EUA têm utilizado diferentes estratégias para lidar com o Irão. Desde o apoio a Saddam Hussein durante a guerra Irão-Iraque até a colaboração com Teerão na luta contra os Talibã, a política norte-americana tem sido marcada por contradições. Apesar de classificar o Irão como parte do “Eixo do Mal”, Washington não hesitou em negociar com o país quando lhe convinha.
A questão nuclear iraniana tem sido um dos principais pontos de discórdia. Embora o Irão tenha cumprido os termos do acordo nuclear de 2015, os EUA abandonaram unilateralmente o pacto em 2018, revelando que a segurança do país não era uma prioridade para Washington. A retórica sobre o programa nuclear é, portanto, vista como uma cortina de fumo que esconde as verdadeiras intenções dos EUA.
Recentemente, o Irão tem demonstrado uma postura mais assertiva nas negociações, recusando-se a ceder às exigências de Washington. A resistência iraniana é um sinal de que o país não está disposto a negociar sob pressão e que está preparado para responder a qualquer ataque. A possibilidade de um confronto militar direto entre os dois países levanta preocupações sobre as consequências para a região e para o mundo.
A situação é ainda mais complexa com a crescente influência da China e da Rússia na região. O recente pacto estratégico entre o Irão, a China e a Rússia, bem como a transferência de tecnologia militar, complicam ainda mais a posição dos EUA. A capacidade militar do Irão, incluindo mísseis balísticos e a sua infraestrutura subterrânea, torna qualquer ataque norte-americano uma tarefa arriscada.
O futuro do conflito EUA-Irão permanece incerto. A pressão política sobre o presidente Trump pode levá-lo a reconsiderar a sua abordagem, mas a falta de alternativas viáveis para um regime que substitua os aiatolas no Irão complica ainda mais a situação. A mudança no Irão, se ocorrer, terá de ser impulsionada de dentro, e não através de intervenções externas.
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Fonte: Sapo





