Desde 2017, Portugal tem enfrentado uma série de catástrofes e desastres que revelam falhas estruturais na resposta do Estado. Este cenário torna-se ainda mais preocupante quando consideramos a disrupção no serviço público de saúde e os infortúnios regionais que, embora não tenham uma amplitude nacional, afetam gravemente as comunidades locais.
A resposta a estas situações é, em teoria, técnica e organizada. A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil e o Ministério da Administração Interna são os primeiros a intervir, seguidos pelos ministérios da Saúde, do Ambiente, da Agricultura ou da Defesa, dependendo da natureza do problema. Contudo, a realidade tem demonstrado que esta abordagem não tem sido eficaz. Incêndios, cheias e a pandemia foram apenas alguns dos desafios que evidenciaram uma resposta tardia e desarticulada, muitas vezes mais solidária do que institucional.
A intervenção do primeiro-ministro, que deveria ser uma exceção, tornou-se uma necessidade constante. A falta de aprendizagem entre os episódios catastróficos é alarmante. A tendência é esperar que os problemas se resolvam sozinhos, com receio de uma reação desproporcional. No entanto, a realidade acaba por impor-se, gerando uma cacofonia descoordenada que prejudica a eficácia da resposta a catástrofes.
É evidente que os eventos catastróficos se estão a multiplicar e que a resposta a catástrofes precisa de ser revista. Devemos mudar o padrão de atuação para evitar os mesmos resultados desastrosos. Uma abordagem técnica é fundamental, mas deve ser centralizada no primeiro-ministro, garantindo que a resposta tenha o peso político necessário para funcionar de forma eficaz. Além disso, a estrutura de resposta deve ser permanente, uma vez que as crises são recorrentes. É crucial que se aprenda com os episódios anteriores para que a resposta a catástrofes seja mais rápida e coordenada.
Rezar a Santa Bárbara quando já está a trovejar não é uma solução viável. É imprescindível que o sistema se adapte e evolua, garantindo que o país esteja preparado para enfrentar os desafios que se avizinham. A mudança começa agora, com a implementação de um sistema que não apenas reaja, mas que também previna e minimize os danos.
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Fonte: Sapo





