A Alemanha está a ponderar a aquisição de mais caças F-35, num contexto em que o desenvolvimento do caça europeu enfrenta um impasse. O chanceler Friedrich Merz manifestou dúvidas sobre a adequação do projeto europeu às necessidades das Forças Armadas alemãs. Embora a possibilidade de compra tenha sido avançada pela Reuters, um porta-voz do Governo alemão sublinhou que ainda não foi tomada nenhuma decisão.
De acordo com fontes citadas pela Reuters, a Alemanha poderá estar a considerar a compra de mais 35 caças F-35, fabricados pela Lockheed Martin. No entanto, ambas as fontes alertam que o desfecho desta negociação permanece incerto. O porta-voz do Governo reiterou que “não há planos, e não há decisão” em relação a esta nova aquisição. A mesma posição foi partilhada pelo porta-voz do Ministério da Defesa, que afirmou que “não existem planos concretos ou decisões políticas” sobre a compra de novos F-35.
Em 2022, a Alemanha já havia encomendado 35 caças F-35, com as primeiras entregas previstas para o final deste ano. Se a nova aquisição se concretizar, a dependência da Alemanha em relação a equipamentos militares norte-americanos irá aumentar, o que contrasta com a tendência europeia de desenvolver e adquirir armamento na própria região, com o objetivo de reduzir a dependência externa na defesa.
A situação do projeto do caça europeu, que envolve a colaboração entre Alemanha, França e Espanha, está a ser questionada, especialmente após as declarações de Merz. O chanceler afirmou que “os franceses precisam de uma aeronave com capacidade nuclear na próxima geração de aviões de combate; nós, da Bundeswehr, não precisamos disso agora”. Esta divergência de necessidades entre os países envolvidos no projeto levanta questões sobre a viabilidade e a continuidade do desenvolvimento do caça europeu.
A eventual decisão da Alemanha de adquirir mais F-35 poderá ter um impacto significativo na dinâmica da defesa europeia. À medida que o continente procura fortalecer a sua autonomia militar, a dependência de equipamentos norte-americanos poderá ser vista como um retrocesso.
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Fonte: ECO





