Metade do salário de um casal não é suficiente para comprar casa

Um recente relatório do Observatório Imobiliário em Portugal, elaborado pelo Doutor Finanças, revela que, em média, um casal precisa de destinar mais de metade do seu salário para conseguir adquirir uma casa. Especificamente, são necessários 53% do rendimento para pagar as prestações de um crédito habitação para um apartamento T2 e 55% para uma moradia T3. Estes números colocam em evidência a crescente dificuldade de acesso à habitação em várias regiões do país.

O Índice de Acessibilidade Habitacional (IAH) é a métrica utilizada para avaliar esta situação. O estudo considera o rendimento líquido médio de um casal, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística, e compara-o com a prestação média do crédito habitação. Para tal, foram utilizados parâmetros como uma taxa anual nominal (TAN) média de 2,9% e um prazo médio de 30 anos para o crédito, com um loan-to-value (LTV) médio de 60,8% para apartamentos e 57,45% para moradias.

Um IAH mais elevado indica uma maior acessibilidade à habitação. A nível nacional, o IAH médio para um casal é de 1,90 para um apartamento T2 e de 1,83 para uma moradia T3. Estes valores estão acima da taxa de esforço recomendada de 50%, que é o limite máximo para a concessão de crédito, segundo as orientações do Banco de Portugal.

Contudo, a realidade é ainda mais preocupante. Os 53% e 55% mencionados referem-se apenas ao crédito habitação, sem considerar outros empréstimos. A taxa de esforço idealmente não deve ultrapassar 30% a 35% do rendimento mensal, o que torna a situação ainda mais complicada para muitos casais.

As disparidades entre os diferentes distritos são significativas. Na Madeira, por exemplo, um casal precisa de alocar 70% do seu salário para a prestação de um apartamento T2, enquanto a prestação média de uma moradia T3 supera os 100% do rendimento do casal. Em Lisboa e Faro, a situação não é muito melhor, com 59% e 68% do salário, respetivamente, a serem necessários para a compra de um T2.

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Por outro lado, existem distritos onde a acessibilidade à habitação é consideravelmente melhor. Em Portalegre, por exemplo, um casal apenas precisa de 14% do seu rendimento para adquirir um apartamento T2, o que contrasta com os 92% necessários em Faro para uma moradia T3.

Se analisarmos a situação de um potencial comprador solteiro, a realidade torna-se ainda mais sombria. Apenas em seis distritos é possível dedicar menos de metade do salário ao pagamento de um apartamento T2. Em regiões como a Madeira, Faro e Lisboa, um único ordenado não é suficiente para cobrir as prestações.

Estes dados sublinham a crescente dificuldade de acesso à habitação, especialmente para solteiros e famílias monoparentais, nas áreas urbanas e turísticas. A acessibilidade à habitação continua a ser um tema crítico em Portugal, refletindo a necessidade de soluções eficazes para garantir que todos possam ter um lar.

Leia também: O que é o Índice de Acessibilidade Habitacional?

acessibilidade à habitação acessibilidade à habitação Nota: análise relacionada com acessibilidade à habitação.

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Fonte: Doutor Finanças

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