A importância crescente dos fact-checkers na era da IA

Lucas Graves, especialista norte-americano em verificação de factos, defende que a atividade de fact-checking precisa de se reinventar economicamente, especialmente agora que a sua relevância aumentou com o crescimento de conteúdos gerados por inteligência artificial. Segundo Graves, “a IA coloca-nos um desafio urgente sobre como podemos ter um discurso público significativo”, referindo-se à facilidade com que qualquer pessoa pode afirmar que provas reais são falsas.

Na sua recente entrevista à Lusa, o professor da Universidade de Wisconsin, atualmente na Universidade Carlos III de Madrid, sublinha a necessidade de as pessoas saberem se um vídeo é verdadeiro ou falso. Para ele, o fact-checking é mais crucial do que nunca, uma vez que a dúvida sobre a autenticidade de conteúdos se intensifica. “Precisamos agora, mais do que nunca, deste papel de pessoas que dizem que este é um vídeo verdadeiro e aquele não é, especialmente no domínio da política”, alerta Graves.

O especialista, que é um dos grandes estudiosos do fact-checking, aponta que a procura por verificações de factos entre o público em geral deverá aumentar. Contudo, ele adverte que este desafio não é apenas para os fact-checkers, mas para a sociedade como um todo. A situação é ainda mais complexa, uma vez que plataformas como a Meta e o Google estão a reduzir o seu apoio ao fact-checking, o que pode comprometer a eficácia desta atividade.

Graves critica as iniciativas de verificação de factos lançadas por grandes plataformas, afirmando que foram, na sua essência, “iniciativas de relações públicas”. Ele acredita que o fim desses programas é agora motivado por razões políticas, com o objetivo de manter boas relações com o novo presidente dos Estados Unidos. Este contexto torna a necessidade de uma verificação de factos independente ainda mais premente.

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Além disso, o professor destaca que as plataformas tecnológicas sempre tiveram uma postura de não moderação dos conteúdos, limitando-se a criar um espaço para a expressão. A falta de financiamento e a exclusão do sistema de fact-checking das plataformas obrigam os verificadores de factos a encontrar novas formas de se conectar com o público e diversificar as suas fontes de receita. Caso contrário, a sua atividade poderá ser severamente comprometida.

Graves compara o atual desafio do fact-checking ao que as organizações noticiosas enfrentaram ao saírem do período de integração no Facebook. Ele recorda que, ao partilhar conteúdos na rede social, as empresas aumentaram as suas audiências, mas enfraqueceram a ligação com o público. Quando o algoritmo do Facebook mudou, muitas dessas organizações tornaram-se vulneráveis.

Apesar do “perigo real” que um vídeo falso pode representar, Graves acredita que não estamos a evoluir para uma sociedade de céticos. Ele defende que, como seres humanos, precisamos de heurísticas para estabelecer a verdade e confiar nas instituições. A verificação de factos, neste sentido, surge como uma instituição essencial na era digital, semelhante às que surgiram com a imprensa no passado.

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Fonte: ECO

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