O embaixador dos Estados Unidos em Lisboa, John Arrigo, manifestou a sua opinião de que Portugal deve encerrar a sua parceria económica com a China, especificamente a Rota da Seda, também conhecida como “Uma faixa, uma Rota”. Esta iniciativa, lançada pelo presidente chinês Xi Jinping em 2013, visa promover as relações comerciais de Pequim com diversos países ao redor do mundo.
Portugal assinou um memorando de entendimento em 2018, mas optou por não se comprometer plenamente com a iniciativa. Na visão do embaixador, a saída de Portugal da Rota da Seda seria benéfica para o fortalecimento das relações entre Lisboa e Washington. Arrigo argumentou que, assim como a Itália, que abandonou a iniciativa em 2023, Portugal também poderia libertar-se dessa parceria sem sofrer consequências negativas.
Durante uma entrevista à “CNN Portugal”, Arrigo afirmou: “Não pedimos muita coisa, mas penso que a nossa parceria vai prosperar quando saírem da iniciativa.” O embaixador sublinhou que a Rota da Seda abrange uma vasta gama de setores, como transporte, logística, energia e comércio, e que a sua saída poderia facilitar um ambiente de negócios mais favorável.
O primeiro-ministro António Costa, na altura da assinatura do acordo, destacou a importância da relação entre Portugal e a China, afirmando que se tratava de um passo significativo na cooperação bilateral. Contudo, a atual administração norte-americana parece ter uma visão diferente, enfatizando a necessidade de Portugal priorizar laços mais estreitos com os EUA.
Além da questão da Rota da Seda, Arrigo também abordou a modernização da frota da Força Aérea Portuguesa, sugerindo a aquisição de caças F-35 para substituir os F-16. Ele considerou que o F-35 é a melhor opção para garantir a segurança e a competitividade da aviação militar portuguesa.
O embaixador destacou ainda o investimento de várias empresas portuguesas nos Estados Unidos, como a EDP e a Sword Health, elogiando a decisão dessas empresas de expandirem os seus negócios no mercado norte-americano. “Tomaram uma decisão fantástica e os seus negócios estão a prosperar”, disse Arrigo.
Por fim, o embaixador fez uma ressalva sobre o investimento chinês em Portugal, afirmando que, embora não queiram afastar a China, é importante reduzir riscos associados a essa parceria. “Queremos condições equitativas com qualquer concorrente”, concluiu, reforçando a ideia de que a segurança e a cibersegurança são prioridades para a relação económica entre os dois países.
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Rota da Seda Nota: análise relacionada com Rota da Seda.
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Fonte: Sapo





