Europa investe na economia da defesa com startups inovadoras

O capital de risco na Europa está a redirecionar-se para a economia da defesa, respondendo a um cenário de crescimento e inovação. Em 2025, o investimento em startups dedicadas à defesa, segurança e resiliência atingiu 8,7 mil milhões de dólares, representando um aumento de 55% em relação ao ano anterior e quadruplicando os números de há cinco anos. Este fenómeno não é apenas uma tendência passageira, mas sim uma reconfiguração estrutural na forma como a Europa financia a sua segurança.

Historicamente, o complexo militar-industrial europeu era dominado por grandes contratantes e processos de aquisição morosos. No entanto, a guerra na Ucrânia, a crescente pressão da NATO e a diminuição do envolvimento dos Estados Unidos na segurança europeia alteraram este paradigma. Emergiu, assim, um ecossistema dinâmico de startups deeptech, focadas em áreas como drones, inteligência artificial e segurança de infraestruturas críticas. Estas empresas estão a captar investimentos na ordem de centenas de milhões e a apresentar um crescimento de receitas a três dígitos. Por exemplo, a Helsing arrecadou 600 milhões de dólares, a Quantinuum 800 milhões e a portuguesa Tekever viu as suas receitas aumentar 90%, alcançando 62 milhões de euros.

Para Portugal, este contexto representa uma oportunidade única, mas também um risco de ficar para trás. O país possui ativos relevantes na economia da defesa, com a Tekever a destacar-se no setor dos drones, a Beyond Vision a operar na Ucrânia e a Sound Particles a entrar no mercado da defesa. Existe talento em engenharia e empresas com potencial de internacionalização, além de uma localização geográfica estratégica. Contudo, falta um ecossistema de financiamento nacional que suporte estas empresas durante as suas fases de crescimento.

Enquanto o Reino Unido lançou um fundo de 330 milhões de libras para o setor, a França disponibiliza 100 milhões através do Definvest, e a Holanda e a Estónia seguiram o mesmo caminho, Portugal deve considerar a criação de um instrumento semelhante. Embora participe no NATO Innovation Fund, isso não substitui a necessidade de uma política industrial de defesa com capital e ambição nacional. O risco é que as melhores startups portuguesas sejam adquiridas por grupos estrangeiros, como já aconteceu em outros setores tecnológicos, devido à falta de capital nacional.

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O momento é crucial. A janela de oportunidade para Portugal se afirmar na economia da defesa não é eterna. O ecossistema europeu está a consolidar-se, com fusões e aquisições a acelerar e centros de investimento, como Munique, Londres e Cambridge, a solidificarem-se. Portugal possui empresas com capacidade para competir, mas é necessário que o Estado encare a defesa não apenas como um gasto obrigatório para cumprir metas da NATO, mas como uma aposta económica legítima, que traga retorno, empregos qualificados e soberania tecnológica. O Governo parece estar a tomar as medidas certas, e a esperança é que a oposição adote uma postura responsável. A mudança de paradigma que se impõe ainda está por vir.

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Fonte: Sapo

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