A forma como os jovens constroem as suas carreiras tem mudado significativamente, com muitos a optar por trajetórias em ziguezague. Esta abordagem, que envolve saltar de uma empresa para outra, levanta preocupações sobre a aquisição de conhecimento profundo em áreas específicas. Paulo Barradas Rebelo, fundador e chairman da farmacêutica Bluepharma, partilhou estas reflexões no podcast “Trinta e oito vírgula quatro”.
Barradas Rebelo salienta que, embora a empresa ainda consiga recrutar talentos, a retenção de trabalhadores se tornou um desafio. “Os jovens de hoje fazem carreiras em ziguezague, acumulando experiências, mas acabam por ter dificuldade em aprofundar o conhecimento numa área”, explica. Para ele, o conhecimento profundo é algo que se conquista com tempo e repetição, algo que as carreiras em ziguezague dificultam.
No mesmo episódio, o chairman expressou a sua desconfiança em relação a candidatos com percursos profissionais fragmentados. Para um empregador, a contratação é vista como um compromisso a longo prazo, e a instabilidade nas carreiras levanta questões sobre a fidelidade e o investimento que os trabalhadores estão dispostos a fazer na empresa.
A Bluepharma, que celebra 25 anos de existência, tem como objetivo criar um ambiente onde os colaboradores se sintam felizes e produtivos. Barradas Rebelo afirma que “sem uma população feliz, não teremos uma população produtiva”. A produtividade é, segundo ele, uma preocupação central, especialmente em Portugal, onde é crucial melhorar as condições de trabalho e os salários.
Além disso, o podcast também aborda o setor do turismo, onde António Marto, fundador da Bolsa de Empregabilidade, discute as mudanças nas relações entre empregadores e trabalhadores. Marto destaca que a escassez de mão de obra tem levado as empresas a adaptarem-se, incluindo a organização de turnos fixos para melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores.
A imigração também é um tema relevante, com Marto a afirmar que o setor precisa de mão de obra estrangeira, mas que é essencial formar esses trabalhadores de acordo com as necessidades do mercado. “O ideal seria filtrar as competências já na origem, para que, ao chegarem, estejam melhor preparados”, sugere.
O podcast “Trinta e oito vírgula quatro” é uma plataforma que explora as dinâmicas do mercado de trabalho, refletindo sobre como os portugueses podem trabalhar de forma mais eficaz. Com a vida profissional média a aumentar, a discussão sobre carreiras em ziguezague e a necessidade de conhecimento profundo torna-se cada vez mais pertinente.
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Fonte: ECO





