Igualdade de género nos media portugueses apresenta sinais de regressão

A igualdade de género nos media portugueses continua a ser um objetivo distante, com um recente estudo a indicar sinais preocupantes de regressão. Segundo o relatório nacional da última edição do Global Media Monitoring Project (GMMP), que será apresentado esta semana em Coimbra e Lisboa, apenas 24% das pessoas visíveis nas notícias em Portugal são mulheres. Este valor está abaixo da média global de 26% registada em 94 países.

Este panorama, que se refere ao ano de 2025, surge após uma década de evolução positiva, mas revela um retrocesso significativo em relação aos 34% observados em 2020, na edição anterior do GMMP. O estudo, realizado pela World Association for Christian Communication, é o maior e mais antigo sobre as disparidades de género nos conteúdos noticiosos, sendo realizado a cada cinco anos desde 1995.

Rita Basílio Simões, professora universitária e coordenadora nacional do GMMP, destaca que a situação piorou especialmente no meio digital, que em 2020 apresentava uma “quase paridade” na produção de notícias. Agora, o digital, que era visto como uma esperança para superar desigualdades, mostra um cenário oposto. As mulheres continuam a ser sub-representadas, sendo ouvidas como fontes de informação em apenas 18% na rádio, 21% na imprensa, 24% em sites de notícias e 30% na televisão.

O relatório também revela que as mulheres são três vezes menos ouvidas como fontes de informação e, quando são citadas, geralmente estão associadas à política ou são figuras públicas, enquanto a sua presença como especialistas é residual. Este desequilíbrio é alarmante, pois as mulheres permanecem sub-representadas como produtoras de conteúdo e vozes de autoridade.

Além disso, a cobertura de temas relacionados com a violência de género é mínima, representando apenas 2% do total. O estudo conclui que é urgente implementar transformações estruturais nas práticas jornalísticas e nas condições de produção de informação. A diminuição da presença feminina em áreas como a política e a economia reforça a ideia de que as “hard news” são predominantemente construídas a partir da voz masculina.

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Rita Basílio Simões sublinha que, apesar de quase 42% dos jornalistas serem mulheres, não se verifica uma mudança estrutural nos conteúdos produzidos. A situação exige uma intervenção multissistémica, envolvendo jornalistas, direções editoriais e a sociedade civil, para promover redações mais plurais e responsáveis.

É fundamental que os órgãos de comunicação social reconheçam a importância de uma representação equitativa e que os planos de ação estatais sejam aplicados de forma abrangente, incluindo as instituições privadas, que representam a maioria. A luta pela igualdade de género nos media é uma responsabilidade partilhada que requer um compromisso contínuo e ações concretas.

Leia também: A importância da diversidade nos media para a sociedade.

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Fonte: Sapo

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