A guerra na Ucrânia, que se arrasta há quatro anos, tem deixado um legado significativo nos mercados de matérias-primas e energia, conforme revela uma análise da corretora XTB. Este conflito provocou um dos maiores choques nos mercados nas últimas décadas, especialmente em 2022, afetando diretamente os preços da energia, alimentos e metais industriais.
No início da invasão, os mercados reagiram rapidamente ao risco de interrupções no fornecimento de petróleo e gás por parte da Rússia, um dos principais exportadores mundiais. O preço do petróleo Brent disparou para mais de 130 dólares por barril, enquanto o gás natural na Europa ultrapassou os 300 euros por megawatt-hora. Quatro anos depois, os preços estabilizaram, mas permanecem abaixo dos máximos históricos. A Europa tem vindo a reduzir a sua dependência do gás russo, substituindo-o por gás natural liquefeito (GNL) proveniente dos Estados Unidos e do Médio Oriente. No entanto, os recentes ataques à infraestrutura energética da Rússia e da Ucrânia demonstram que a volatilidade do setor energético ainda é uma realidade.
O choque energético teve um impacto profundo na inflação da Zona Euro, que superou os 10% em 2022. Esta situação levou o Banco Central Europeu e a Reserva Federal Americana a implementarem ciclos agressivos de aumento das taxas de juros. Assim, o impacto da guerra na Ucrânia estendeu-se ao contexto macroeconómico global, com repercussões que ainda se fazem sentir.
As sanções impostas pelo Ocidente à Rússia não afetaram apenas o setor energético. Antes da guerra, a Rússia e a Ucrânia eram responsáveis por cerca de 30% das exportações globais de trigo. A guerra resultou num aumento significativo dos preços agrícolas em 2022. Apesar de a reabertura parcial dos corredores de exportação no Mar Negro ter permitido uma correção dos preços, a volatilidade continua a ser uma preocupação.
O mercado do níquel também experimentou movimentos extremos, sublinhando a fragilidade das cadeias de fornecimento globais. Em contrapartida, o ouro beneficiou do aumento da incerteza geopolítica e da inflação, consolidando-se como um ativo de refúgio. Muitos bancos centrais aumentaram as suas reservas de ouro durante este período.
Apesar dos esforços da administração Trump para mediar um acordo entre a Ucrânia e a Rússia, as questões territoriais e a interferência europeia têm dificultado o processo de paz. Além disso, novos conflitos, como as tensões entre os EUA e o Irão, podem agravar ainda mais os preços das matérias-primas energéticas.
Para os investidores, o impacto da guerra na Ucrânia destacou a importância da diversificação e da monitorização do risco geopolítico na avaliação de ativos. A XTB conclui que a situação atual exige uma atenção constante às dinâmicas do mercado e às suas implicações económicas.
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Fonte: Sapo





