Um novo estudo da Equalmed revela que o acesso a medicamentos em Portugal está aquém dos padrões de países como França, Espanha, Itália e Bélgica. O relatório, intitulado “Índex da Equidade de Acesso ao Medicamento”, destaca que a falta de equidade no acesso a medicamentos resulta em consequências graves, incluindo a perda de vidas. Se Portugal conseguisse atingir os níveis de equidade de França, poderia evitar mais de 1.500 mortes anuais por doenças tratáveis.
O estudo, que foi desenvolvido com o apoio técnico da IQVIA, indica que entre 2022 e 2025, o nível de equidade em Portugal se fixou em 52%. Este valor é considerado moderado e coloca o país na parte inferior da tabela em comparação com os seus vizinhos europeus. A análise revela que um aumento de apenas 5% na equidade de acesso poderia reduzir a mortalidade tratável em 3%.
Além do impacto humano, o estudo também aponta para a carga económica que o acesso a medicamentos representa para os portugueses. O país apresenta a maior proporção de despesa com medicamentos em relação ao rendimento médio, com 16,1% da população a relatar dificuldades em suportar os custos. Esta situação é agravada pela escassez de profissionais de saúde, que limita a capacidade de prescrição e, consequentemente, o acesso a tratamentos.
Portugal é um dos países com menos profissionais de saúde por 100 mil habitantes, o que condiciona o acesso à prescrição terapêutica, um passo crucial para que os doentes consigam obter os medicamentos de que necessitam. Esta falta de recursos humanos é um dos principais obstáculos que os cidadãos enfrentam no acesso a cuidados de saúde.
O estudo também revela disparidades regionais significativas. As regiões do Alentejo, Oeste e Vale do Tejo apresentam os piores índices de acesso a medicamentos, enquanto o Norte e Grande Lisboa têm os melhores, embora em tendência de queda. Além disso, Portugal é o país europeu onde uma maior parte da população vive a mais de 10 quilómetros de uma farmácia, o que agrava ainda mais a situação.
Por outro lado, existem aspectos positivos a destacar. Portugal lidera a Europa na adoção de medicamentos biossimilares e detém a maior quota de genéricos por volume. A rápida aprovação de financiamento para estes fármacos permitiu que mais de 1,7 milhões de doentes tivessem acesso a tratamentos. No entanto, cerca de 33% das autorizações de introdução no mercado não resultam em comercialização efetiva, limitando o acesso a medicamentos essenciais.
João Paulo Nascimento, presidente da Equalmed, sublinha que este Índex deve servir como uma ferramenta para a formulação de políticas públicas. “O diagnóstico está feito. A falta de equidade no acesso a medicamentos não é apenas um problema económico ou logístico, mas um fator determinante na sobrevivência e na qualidade de vida dos portugueses”, afirma.
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Fonte: Sapo





