Nos últimos anos, os ETF alavancados tornaram-se uma opção popular entre pequenos investidores, que buscam maximizar os seus ganhos em um único dia de negociação. Um estudo recente da Direxion, em colaboração com a Vanda Research e a The Compound Insights, revela que estes investidores representam cerca de 90% do volume total negociado em ETF alavancados de ações individuais. Este crescimento é notável, considerando que, em apenas três anos, estes produtos já constituem metade do volume de todos os fundos de ações alavancados nos Estados Unidos.
A ascensão dos ETF alavancados pode ser atribuída à pandemia de 2020, quando muitos pequenos investidores começaram a participar ativamente nos mercados financeiros, impulsionados pelo acesso facilitado através de plataformas digitais e pelo tempo extra passado em casa. O volume destes fundos cresceu a uma taxa anual de 29% desde o início da pandemia, superando o crescimento de opções e ações.
Os ETF alavancados permitem aos investidores especular com ganhos ou perdas multiplicados por dois ou três, dependendo do ativo. Esta facilidade de acesso a produtos complexos sem a necessidade de abrir contas de margem ou dominar estratégias de derivados atraiu um número crescente de investidores de retalho. Desde a introdução dos ETF alavancados sobre ações individuais, em meados de 2022, o número destes produtos disparou 318%, refletindo um interesse crescente em ações de empresas como Nvidia, Tesla e Microsoft.
Em agosto de 2025, existiam 452 ETF alavancados a negociar nas bolsas norte-americanas, com ativos que ultrapassavam os 160 mil milhões de dólares. Apesar de os investidores de retalho representarem apenas 5,5% do volume total negociado em ações americanas, são responsáveis por uma parte significativa do volume em fundos alavancados. Este fenómeno democratizou o acesso a estratégias de investimento que antes eram exclusivas de investidores institucionais.
O estudo também analisa o comportamento dos investidores de retalho em momentos de crise, como o crash da Covid-19 em 2020 e o mercado em baixa de 2022. Durante a pandemia, o volume negociado em ETF alavancados quadruplicou, com muitos traders a alternar rapidamente entre posições longas e curtas. Em 2022, os investidores concentraram-se em posições longas, na esperança de que o mercado se recuperasse, o que, para muitos, resultou em perdas significativas.
A popularidade dos ETF alavancados não deve, no entanto, ser confundida com a sua adequação a todos os perfis de investimento. Estes produtos são projetados para horizontes de curtíssimo prazo, tipicamente um único dia de negociação, e os mecanismos de reajuste diário da alavancagem podem distorcer os retornos em períodos mais longos. O estudo alerta que investir em ETF alavancados sem uma monitorização constante pode ser arriscado, especialmente se a estratégia for baseada em expectativas de longo prazo.
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Fonte: ECO





