No final de janeiro e início de fevereiro, muitos portugueses sentiram que o clima habitual do país tinha mudado radicalmente. O sol e o bom tempo, características tão apreciadas, foram substituídos por ventos que atingiram os 200 km/h e chuvas incessantes. Este cenário, que parecia impensável, fez com que o país inteiro prendesse a respiração, aguardando a chegada do sol, que finalmente trouxe alívio após semanas de incerteza. Contudo, o regresso da luz trouxe também a dura realidade dos prejuízos, que já se estimam em 500 milhões de euros.
As tempestades em Portugal resultaram em centenas de milhares de sinistros, e este número deverá aumentar à medida que as pessoas começam a lidar com as consequências. O impacto económico, que inclui a perda de produtividade de empresas e indivíduos, é difícil de quantificar, mas será significativo. Tomás Henriques, gestor de sinistros, sublinha que a magnitude dos danos é algo que nunca tínhamos considerado como “normal”.
As imagens de destruição que vimos nas notícias, associadas a tempestades em países como os EUA ou nas Caraíbas, agora refletem uma nova realidade em Portugal. Embora o país tenha enfrentado tempestades no passado, a escala e a intensidade desta recente série de eventos climáticos abriram uma nova caixa de Pandora. Especialistas alertam que, devido às alterações climáticas, eventos como este poderão tornar-se mais frequentes, e a pergunta que se coloca é: estaremos preparados para enfrentar esta nova realidade?
Recentemente, Lisboa foi abalada por dois sismos menores, e as reações da população revelaram uma falta de preparação para desastres naturais. Especialistas afirmam que não estamos prontos para um sismo verdadeiramente devastador, nem para as suas consequências materiais e financeiras. Apesar de a definição de catástrofe incluir a dificuldade de prevenção, é evidente que existem muitas medidas que poderíamos implementar para mitigar os riscos, tanto na construção de infraestruturas como na escolha de seguros adequados.
Historicamente, Portugal tem sido menos afetado por catástrofes em comparação com outros países, o que levou a uma certa complacência. Muitas pessoas acreditam que não é necessário investir em construções que suportem ventos fortes ou chuvas intensas, nem em seguros mais abrangentes, optando pelo mínimo necessário. Esta mentalidade tem consequências graves, pois muitos portugueses não têm seguros adequados e podem enfrentar perdas irrecuperáveis.
A recente realidade das tempestades em Portugal deve servir como um alerta. A forma como gerimos e percebemos o risco precisa de mudar. É fundamental que a sociedade, desde cidadãos individuais até grandes empresas, repense a sua abordagem. O apoio do Estado e do mercado segurador será crucial, mas não será suficiente. Precisamos de mais investimento, legislação rigorosa na construção e um planeamento especializado para evitar que futuras catástrofes tenham consequências tão devastadoras.
O verdadeiro teste da nossa preparação virá com o próximo evento. Estaremos prontos para enfrentar o que está por vir, ou continuaremos a viver sob a ameaça constante de desastres naturais? Esta é uma questão que todos devemos considerar seriamente.
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Fonte: ECO





