A geopolítica pode ter um impacto direto nas finanças dos portugueses, e o recente ataque dos EUA e de Israel ao Irão é um exemplo claro disso. Este conflito no Médio Oriente levanta preocupações sobre uma possível crise no mercado petrolífero, que pode resultar em aumentos significativos nos preços do petróleo. Se a situação se agravar, os preços dos combustíveis poderão disparar, afetando a inflação e o crescimento económico global, incluindo em Portugal.
O Irão é um dos maiores produtores de petróleo da OPEP, com uma produção diária de 3,3 milhões de barris. Além disso, controla o Estreito de Ormuz, uma rota vital para o comércio energético mundial, onde transitam mais de 14 milhões de barris por dia. Um encerramento desta passagem poderia fazer com que o preço do barril de petróleo chegasse a 120 ou 130 dólares, um aumento entre 66% e 80% em relação aos preços atuais.
Após o ataque, o Irão retaliou com mísseis contra bases norte-americanas, e a navegação no Estreito de Ormuz foi comprometida. A resposta dos mercados foi imediata, com armadores e petrolíferas a suspenderem envios de petróleo e gás, e as seguradoras a aumentarem os prémios. Esta situação pode levar a uma corrida por reservas, especialmente entre países asiáticos, que dependem fortemente do petróleo do Golfo Pérsico.
Para as famílias e empresas portuguesas, os efeitos da subida dos preços do petróleo são evidentes. Um aumento significativo no preço do barril traduz-se rapidamente em preços mais altos na bomba, o que, por sua vez, eleva os custos de transporte e logística. O governo português está a eliminar gradualmente o desconto no ISP (Imposto sobre os Produtos Petrolíferos), o que fará com que os consumidores sintam ainda mais a pressão das oscilações do mercado internacional.
Além disso, a inflação poderá aumentar, criando um dilema para o Banco Central Europeu. A pressão inflacionista pode levar a uma revisão das políticas monetárias que visam estimular a economia. As empresas, especialmente aquelas com margens de lucro já reduzidas, enfrentarão custos mais altos, o que poderá impactar negativamente a sua rentabilidade.
O governo português baseou o Orçamento do Estado para 2026 em previsões de preços do petróleo que agora parecem irrealistas. Com o barril a negociar acima dos 72 dólares, as projeções orçamentais podem ser severamente afetadas, resultando em um desvio significativo que poderá impactar o consumo e o crescimento do PIB.
As opções para mitigar o impacto de uma crise no petróleo são limitadas. Embora existam reservas estratégicas disponíveis, a magnitude da crise pode ultrapassar a capacidade de resposta. A incerteza sobre o futuro imediato, tanto em termos militares como diplomáticos, determinará se esta situação se transforma numa crise económica global ou se será apenas um susto passageiro.
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preços do petróleo preços do petróleo Nota: análise relacionada com preços do petróleo.
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Fonte: ECO





