A dívida pública de Portugal registou um aumento significativo no início de 2026, subindo 2,2% em janeiro. De acordo com os dados divulgados pelo Banco de Portugal, o montante total da dívida alcançou os 280,9 mil milhões de euros, o que representa um acréscimo de 6,1 mil milhões de euros em relação a dezembro do ano anterior.
Este crescimento deve-se, em grande parte, à emissão de novos títulos de dívida, que aumentaram em 5,2 mil milhões de euros. O Banco de Portugal destacou que esta variação foi impulsionada por uma emissão sindicada de obrigações e por dois leilões de Obrigações do Tesouro. Além disso, os empréstimos também contribuíram para o aumento, com um acréscimo de 0,6 mil milhões de euros. É importante notar que a maior parte destes instrumentos financeiros é de longo prazo, o que pode ter implicações na gestão da dívida pública.
Comparando com o mesmo período do ano anterior, a dívida pública cresceu 2,3%, o que equivale a um aumento de 6,3 mil milhões de euros em relação a janeiro de 2025, quando a dívida se situava nos 274,3 mil milhões de euros. Este aumento homólogo é o mais elevado registado no primeiro mês do ano desde 2022.
Os dados sobre a dívida pública seguem a ótica de Maastricht, uma metodologia adotada por todos os países da União Europeia para medir o endividamento público. Esta abordagem inclui os títulos de dívida emitidos pelo Estado, como obrigações e Bilhetes do Tesouro, bem como os Certificados de Aforro e os empréstimos obtidos pelas administrações públicas. Através deste indicador, Bruxelas avalia a saúde das finanças públicas de cada Estado-membro.
O início de 2026 com um aumento na dívida pública é um padrão habitual, uma vez que a agência de gestão da dívida pública (IGCP) costuma aproveitar a reabertura dos mercados para assegurar financiamento antecipado. Este movimento visa garantir uma almofada financeira para os meses seguintes. Contudo, o crescimento homólogo observado em janeiro é um sinal de alerta, uma vez que pode indicar desafios na sustentabilidade da dívida pública.
É relevante também observar que, apesar do aumento da dívida, Portugal tem conseguido reduzir o rácio da dívida em relação ao PIB, que se situou em 89,7% no final de 2025. No entanto, este rácio continua a ser um dos mais elevados da União Europeia, o que levanta questões sobre a capacidade do país em gerir a sua dívida pública a longo prazo.
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Fonte: ECO





