Nos últimos anos, Portugal tem assistido a uma transformação urbana significativa, especialmente nas grandes cidades como Lisboa e Porto. Há uma década, muitas localidades enfrentavam problemas de fachadas devolutas, casas abandonadas e um comércio tradicional em dificuldades. Embora ainda existam áreas afetadas por essa realidade, a regeneração urbana trouxe novos residentes e investidores, alterando a paisagem das cidades. No entanto, essa renovação trouxe consigo desafios, como o aumento dos preços de compra e das rendas, que se tornaram uma preocupação crescente.
Entre 2015 e 2024, os preços no mercado imobiliário português mais do que duplicaram em várias regiões, com Lisboa, Porto e Algarve a liderarem este crescimento. De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), no terceiro trimestre de 2025, o Índice de Preços da Habitação (IPHab) registou um aumento de 17,7% em relação ao ano anterior. Este crescimento foi mais acentuado nas habitações existentes, que subiram 19,1%, em comparação com 14,1% nas novas construções. O preço por metro quadrado atingiu valores históricos, tornando bairros populares em áreas elitistas, o que levanta questões sobre a acessibilidade à habitação.
O investimento estrangeiro desempenhou um papel crucial nesta transformação urbana. Programas como os Vistos Gold e o Estatuto de Residentes Não Habituais (RNH) facilitaram a entrada de capital estrangeiro no mercado imobiliário português. A casa passou a ser vista como uma oportunidade de rendimento, com o valor de mercado a ser influenciado por investidores de países com maior poder de compra. Apesar de Portugal ter encerrado o programa de Vistos Gold em 2023, ainda há interesse por parte de compradores de países como os Estados Unidos, Reino Unido e Brasil, atraídos pela qualidade de vida e pela relação custo-benefício da habitação.
Contudo, o boom de investimento trouxe também uma crise habitacional. A classe média, os jovens profissionais e os idosos têm sido forçados a abandonar os centros urbanos em busca de habitação acessível. O aumento dos preços das casas é alarmante, com o valor mediano de venda em Portugal a subir de 1250€/m2 em 2021 para 1689€/m2 em 2024 para habitações existentes. Em Lisboa, os preços são ainda mais elevados, atingindo 4207€/m2 para casas já existentes.
Além disso, o crescimento das plataformas de arrendamento de curta duração contribuiu para a escassez de habitação. Muitos imóveis foram convertidos em unidades turísticas, reduzindo a oferta no mercado de arrendamento de longa duração. Este cenário, com alta procura e baixa oferta, resultou numa inflação dos preços.
Olhando para o futuro, a acessibilidade habitacional é um dos principais desafios a enfrentar nos próximos anos. O governo já iniciou medidas para construir habitação acessível, mas a sustentabilidade também se torna uma prioridade. Os consumidores estão cada vez mais conscientes do impacto ambiental, e edifícios eficientes e sustentáveis começam a ser uma tendência.
Nos próximos dez anos, a forma como vivemos e trabalhamos poderá mudar radicalmente. A habitação poderá integrar espaços de trabalho, refletindo a crescente popularidade do trabalho remoto. É essencial repensar a configuração das casas para acomodar essa nova realidade.
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Fonte: Sapo





