O presidente do Eurogrupo, Kyriakos Pierrakakis, alertou esta segunda-feira que a zona euro deve estar preparada para um período de “longa instabilidade”. Esta situação, segundo o responsável, poderá afetar as cadeias de abastecimento e pressionar tanto os preços da energia como a inflação, em consequência do conflito no Médio Oriente.
Durante uma conferência de imprensa após a reunião dos ministros das Finanças da zona euro, realizada em Bruxelas, Pierrakakis sublinhou que, apesar da capacidade da economia europeia para absorver choques temporários, é essencial estar preparado para um cenário prolongado de instabilidade. “As perturbações no transporte marítimo e os aumentos nos preços da energia são preocupações reais”, afirmou.
A reunião do Eurogrupo, que ocorreu pela primeira vez desde o início do conflito entre Israel e Estados Unidos contra o Irão, focou-se nos impactos económicos da situação, especialmente no que diz respeito à energia e à inflação. Pierrakakis garantiu que o Eurogrupo está a monitorizar de perto as reações dos mercados às tensões no Médio Oriente, que dominam as notícias internacionais.
Em 2025, a economia europeia apresentou um crescimento superior ao esperado, impulsionado pela estabilização da procura interna e condições de financiamento favoráveis. No entanto, o cenário atual é bastante diferente. A Europa teme um regresso à crise energética de 2022, quando a invasão russa da Ucrânia provocou uma forte dependência das importações de energia, muitas das quais estão ligadas ao Médio Oriente. Qualquer escalada militar que afete a produção ou o transporte de energia, especialmente no Estreito de Ormuz, pode gerar choques nos mercados internacionais e elevar os preços.
“A energia é uma prioridade para nós, pois a instabilidade no Médio Oriente revela a vulnerabilidade dos mercados energéticos e a exposição das nossas economias a choques externos”, destacou Pierrakakis. Neste contexto, países como Portugal têm implementado medidas de apoio à energia, como o desconto no ISP do gasóleo, enquanto outros, como a Espanha, estão a considerar ações semelhantes. O Eurogrupo está atento à pressão sobre os preços da energia e discutiu as medidas que os Estados-membros estão a ponderar, enfatizando a necessidade de uma ação coordenada.
A Comissão Europeia também expressou preocupações sobre as potenciais implicações de um conflito prolongado no Médio Oriente, que poderá ter efeitos profundos e duradouros na economia da União Europeia. O comissário europeu da Economia, Valdis Dombrovskis, afirmou que a duração e a natureza do conflito determinarão as consequências económicas. “Se conseguirmos evitar uma escalada rápida, as repercussões nos mercados de energia poderão ser limitadas”, acrescentou.
Dombrovskis lembrou que a economia europeia parte de um “ponto de partida sólido”, com um crescimento modesto previsto para este e o próximo ano. No entanto, os acontecimentos no Médio Oriente já estão a impactar os preços da energia, representando riscos significativos para a economia da zona euro. O comissário pediu calma e uma monitorização cuidadosa da situação, considerando que ainda é cedo para especular sobre as implicações específicas de política económica.
Os ministros das Finanças do G7 também discutiram a situação e reafirmaram que “nenhum esforço deve ser poupado para garantir a segurança do fornecimento de energia e a abertura do Estreito de Ormuz”. O Banco Central Europeu já alertou que o aumento dos preços da energia pode gerar pressões inflacionistas na zona euro.
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Fonte: ECO





