Nos últimos anos, a inteligência artificial (IA) tem vindo a transformar significativamente o setor bancário. Carlos Santos, sócio da KPMG Portugal, revelou que, nos próximos anos, entre 10% e 20% do orçamento das instituições financeiras será direcionado para o investimento em IA. Esta mudança reflete não apenas a busca por retorno financeiro, mas também a necessidade de inovação e adaptação.
Durante a conferência Banking on Change, realizada em Lisboa, Santos destacou que os investimentos em IA até agora têm sido experimentais. Contudo, à medida que as instituições se adaptam, a aposta em IA deve ser criteriosa. “Não se pode investir apenas por investir; é crucial ter uma visão a longo prazo”, afirmou. Um estudo da McKinsey indica que apenas 6% das empresas são consideradas líderes em IA, o que ressalta a importância de uma abordagem estratégica.
José Pedro Almeida, executivo da INSEAD, complementou que o sucesso na implementação de IA está ligado à capacidade de antecipar tendências. “As instituições que se destacam são aquelas que olham para o futuro e se preparam para as mudanças”, disse. Ele sublinhou que a tecnologia tem um potencial imenso, e a confiança nos modelos de IA está a crescer rapidamente.
Carlos Santos também enfatizou a importância de garantir que o investimento em IA traga retorno, mesmo que não seja imediato. “Os bancos devem focar em áreas onde possam obter vantagens competitivas. Não é viável investir em todas as frentes”, explicou. A identificação de oportunidades específicas é uma tarefa que os gestores bancários devem assumir.
Almeida alertou ainda para a necessidade de mudança de mentalidade no setor. Com a automação de tarefas como a análise de dados, os profissionais bancários terão de passar de executores a supervisores. “A tecnologia está a evoluir rapidamente, e os bancos precisam de estar preparados para essa nova realidade”, afirmou.
A Revolut, por exemplo, tem utilizado IA para reduzir a fraude em 30%, demonstrando como a tecnologia pode ser um aliado na segurança financeira. Rubén Germano, diretor-geral da Revolut Portugal, destacou que a personalização e a experiência do cliente são cruciais para se destacar no mercado. “Estamos a competir não apenas com bancos, mas com todas as plataformas digitais”, disse.
Além disso, Germano garantiu que a Revolut não prevê despedimentos devido à implementação de IA, o que alivia preocupações sobre a substituição de postos de trabalho. Em vez disso, a empresa foca em melhorar a experiência do cliente, com um tempo médio de atendimento reduzido para menos de cinco minutos.
Carlos Santos concluiu que os bancos devem estar preparados para a mudança, externalizando experiências e mantendo uma comunicação clara com os clientes. “Se não ocuparem esse espaço, outras entidades o farão”, alertou, referindo-se ao surgimento de novos modelos de negócios que podem substituir os tradicionais.
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Fonte: ECO





