Despesas essenciais consomem até 80% do orçamento familiar

Um estudo recente da Fundação “la Caixa”, BPI e Nova SBE revela que entre 60% a 80% das despesas das famílias portuguesas são direcionadas a bens essenciais. Este relatório, intitulado “Portugal, Balanço Social: Perspetivas – Quanto sobra ao final do mês?”, foi divulgado na terça-feira, 11 de outubro, e baseia-se em dados do Inquérito às Despesas das Famílias 2022/2023 do INE, complementados por um inquérito adicional realizado em 2024.

Os autores do estudo, Susana Peralta, Bruno P. Carvalho, Miguel Fonseca e Pedro Lopes, destacam que, apesar de o rendimento discricionário médio em Portugal ter aumentado substancialmente entre 2015 e 2022, a situação das famílias mais pobres continua a ser preocupante. O rendimento que sobra após as despesas essenciais, conhecido como rendimento discricionário, é 12 a 17 vezes superior nas famílias mais ricas em comparação com as mais desfavorecidas.

Embora mais de 80% das famílias apresentem rendimentos discricionários positivos, apenas entre 49% a 66% das famílias de menores rendimentos se encontram na mesma situação. Alarmantemente, cerca de 60% destas famílias têm poupanças negativas, o que sublinha a fragilidade económica que persiste, mesmo com a melhoria da média nacional.

Em 2022, 26% dos agregados familiares gastaram mais do que receberam, sendo que este número sobe para 60% entre as famílias mais pobres, enquanto apenas 8% das famílias mais ricas enfrentam esta situação. O rendimento discricionário médio em Portugal variou entre 10.402 euros e 13.379 euros por ano, mas as disparidades são evidentes. As famílias mais ricas gozam de rendimentos discricionários que variam entre 24.973 euros e 30.004 euros anuais, enquanto as mais pobres apresentam valores entre 1.485 euros e 2.393 euros.

Leia também  EDP Renováveis assina contrato de 30 anos para energia solar nos EUA

Os custos das despesas essenciais em 2022 oscilaram entre 9.381 euros e 12.795 euros. Embora as famílias mais ricas tenham um montante superior em gastos essenciais, estas despesas representam uma maior proporção do orçamento total para os agregados mais pobres, com 65% no cabaz restrito, comparado com 53% para os mais ricos. Este cenário limita a capacidade das famílias de fazer face a despesas inesperadas e de poupar.

A vulnerabilidade económica é ainda mais evidente quando se analisa a capacidade de resposta a imprevistos. Apenas 64,3% dos inquiridos afirmam conseguir suportar uma despesa inesperada de 632 euros sem recorrer a empréstimos, uma proporção que sobe para 90% entre os agregados com rendimentos mais elevados, mas desce para apenas 23,6% entre as famílias de rendimentos mais baixos. Quando confrontadas com uma despesa inesperada de mil euros, quase 50% dos inquiridos indicam que recorreriam a poupanças, enquanto 14% optariam por crédito e 11% pediriam ajuda a familiares ou amigos.

As diferenças regionais também são significativas. Os agregados de Lisboa apresentam o rendimento discricionário mais elevado, enquanto os Açores e a Madeira registam os valores mais baixos. Apesar do elevado custo das despesas essenciais em Lisboa, os rendimentos mais altos proporcionam uma maior margem financeira. Por outro lado, o Algarve, o Norte e a Madeira apresentam as maiores proporções de poupança negativa, enquanto os Açores destacam-se pela menor incidência.

Este estudo revela a necessidade de uma análise regional das dinâmicas de rendimento e poupança em Portugal, uma vez que as assimetrias territoriais são evidentes e afetam diretamente a solidez financeira das famílias. O rendimento discricionário, que é o que sobra após as despesas essenciais, contrasta com a poupança, que considera todos os gastos. Assim, a poupança é uma medida importante da almofada financeira das famílias.

Leia também  Governo prevê poupança de 1,2 mil milhões em cinco anos

Leia também: A importância da poupança na gestão familiar.

despesas essenciais Nota: análise relacionada com despesas essenciais.

Leia também: Sanções à Rússia: Costa e von der Leyen reafirmam necessidade de firmeza

Fonte: Sapo

Simular quanto pode poupar nos seus seguros!

Não percas as principais notícias e dicas de Poupança

Não enviamos spam! Leia a nossa política de privacidade para mais informações.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Back To Top