Um novo estudo revela que o ritmo de mudança nas empresas em Portugal acelerou significativamente no último ano. Realizado pela consultora H Advisors em parceria com a multinacional britânica YouGov, o relatório intitulado “Leading without a landing” mostra que os líderes empresariais estão a enfrentar um cenário marcado por volatilidade e disrupções.
De acordo com a análise, três em cada quatro líderes (75%) afirmam que o ritmo de mudança nas empresas aumentou nos últimos 12 meses. Além disso, mais de 80% (82%) dos inquiridos esperam expandir as iniciativas de mudança nos próximos anos. A maioria dos gestores (74%) acredita que a sua organização evoluiu mais rapidamente do que o setor em geral.
As fontes dessa mudança são diversas. Os desenvolvimentos tecnológicos, como a inteligência artificial (IA), são citados por 77% dos líderes, com 75% a destacar especificamente a IA como um motor de transformação. Outros fatores incluem as condições económicas (69%) e as crescentes expectativas dos clientes (66%).
No que diz respeito à estratégia de fusões e aquisições (M&A), apenas 10% dos participantes consideram este aspecto um desafio significativo para o futuro. A consultora H Advisors aponta que este é o valor mais baixo entre os obstáculos identificados, sugerindo uma possível subestimação das perturbações associadas a estas transações.
O estudo também revela um desalinhamento nas perceções de confiança entre os líderes. Enquanto os CEOs demonstram um otimismo elevado sobre a preparação das suas organizações para a mudança (8,4 em 10), os diretores de recursos humanos (RH) mostram-se menos confiantes (7,5 em 10).
António Cunha Vaz, presidente e CEO da H Advisors, sublinha a importância de eliminar a ambiguidade na liderança atual. “Cada líder deve entender e acreditar na estratégia definida. A credibilidade deve preceder a ação. É essencial comunicar de forma clara o que muda para cada equipa e o que isso significa para o futuro da empresa”, afirma.
A formação, especialmente na área da IA, é outro ponto crucial. Um líder de RH destaca a necessidade de “formação adequada para enfrentar os desafios que a IA traz à gestão de recursos humanos”. Por outro lado, um diretor de operações alerta para os riscos de líderes sem formação, que podem falhar na comunicação consistente, resultando em discrepâncias entre a comunicação interna e externa.
Stéphane Fouks, chairman executivo da H Advisors, enfatiza que “a IA está a emergir como a força mais poderosa a moldar o panorama empresarial”. Os líderes já não gerem a mudança em fases, mas operam num ambiente de transformação contínua. O sucesso das organizações dependerá da sua capacidade de adaptação, guiadas por estratégias de comunicação que criem confiança e definam uma direção clara.
Portugal, juntamente com os Emirados Árabes Unidos, destaca-se pela valorização da comunicação durante processos de mudança, com uma pontuação de 9,1 em 10. No entanto, o estudo revela que, tal como em outros países, a comunicação é frequentemente tratada como um aspecto secundário, com a expectativa de que os recursos atuais sejam suficientes para enfrentar os novos desafios.
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Fonte: ECO





