Em março, o preço médio das casas em Portugal situou-se em 3.693 euros por metro quadrado (m²), de acordo com o mais recente relatório do Observatório Imobiliário em Portugal, elaborado pelo Doutor Finanças. Este valor revela uma realidade complexa, marcada por grandes disparidades entre regiões, tipos de imóveis e condições de acesso à habitação.
O Observatório analisa dados de anúncios imobiliários online, cruzando-os com estatísticas oficiais, para oferecer um panorama detalhado do mercado. A análise inclui preços de venda e arrendamento, a oferta disponível, as tipologias de imóveis e um índice de acessibilidade que mede o esforço financeiro necessário para adquirir uma casa em cada distrito.
Os dados confirmam que o mercado imobiliário em Portugal é caracterizado por assimetrias territoriais significativas. Enquanto em Lisboa, o preço das casas atinge valores exorbitantes, em distritos do interior, como Guarda e Bragança, os preços são substancialmente mais baixos. Por exemplo, Lisboa apresenta um preço médio de 5.796 euros/m², enquanto Guarda regista apenas 739 euros/m².
As diferenças de preços são ainda mais evidentes quando se analisam as tipologias de imóveis. Os apartamentos T1 lideram a lista com um preço médio de 4.470 euros/m², seguidos pelos T2 a 3.955 euros/m². Em contrapartida, os T0 são os mais acessíveis, com um preço médio de 3.272 euros/m². É importante notar que em Lisboa, os preços dos T1 podem chegar a 6.737 euros/m², o que demonstra a forte procura por habitação de menor dimensão na capital.
No que diz respeito ao arrendamento, o valor médio nacional em março foi de 16,45 euros/m². Lisboa destaca-se novamente como o distrito mais caro, com rendas a rondar os 20,67 euros/m². Em contraste, distritos como Vila Real e Viseu apresentam valores de arrendamento que não ultrapassam os 6 euros/m², evidenciando a pressão desigual no acesso à habitação.
A acessibilidade à habitação continua a ser um dos principais desafios do mercado. Um casal com salário médio em Portugal precisa de destinar cerca de 53% do seu rendimento líquido mensal para suportar a prestação de um apartamento T2. Na Região Autónoma da Madeira, essa percentagem pode chegar a 70%, o que torna a compra de casa extremamente difícil.
Por outro lado, distritos como Portalegre e Bragança apresentam condições mais favoráveis, onde a prestação de um T2 consome apenas 14% e 16% do rendimento de um casal, respetivamente. Estas diferenças acentuadas no preço das casas e na acessibilidade à habitação revelam a necessidade de políticas que promovam uma maior equidade no mercado imobiliário.
Leia também: O impacto da inflação no mercado imobiliário em Portugal.
preço das casas preço das casas preço das casas Nota: análise relacionada com preço das casas.
Leia também: Corcoran Atlantic promove Karl Lagerfeld Residences em Lisboa
Fonte: Doutor Finanças





