O arquiteto Eduardo Souto de Moura, conhecido pelo seu trabalho na estação da alta velocidade em Campanhã e pela ponte sobre o rio Douro, decidiu não avançar com o projeto da estação do TGV em Santo Ovídio, Vila Nova de Gaia. Esta decisão surge após críticas à proposta de uma estação enterrada, que o arquiteto considera perigosa e ineficaz.
A controvérsia em torno da localização da estação do TGV entre o Porto e Lisboa tem gerado debates acalorados. O consórcio AVAN Norte, liderado pela Mota-Engil, apresentou inicialmente um projeto para uma estação à superfície em Vale do Paraíso, que foi rejeitado pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) devido a discrepâncias com o estudo prévio que fundamentou a Declaração de Impacte Ambiental (DIA).
Recentemente, o consórcio anunciou que irá submeter um novo projeto, desta vez com a estação em Santo Ovídio. No entanto, Eduardo Souto de Moura não fará parte desta nova fase, uma vez que discorda da solução proposta. O arquiteto expressou preocupações sobre a profundidade da estação, afirmando que “ter uma estação a 60 metros de profundidade é um sem número de perigos ou possíveis acidentes”.
Além de Souto de Moura, o presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, Luís Filipe Menezes, também defende a localização em Vale do Paraíso. Em declarações ao ECO, o autarca destacou que a construção da estação em Santo Ovídio poderia causar sérios problemas de tráfego e segurança, uma vez que as obras iriam fechar o acesso à área durante quatro anos, incluindo o hospital de Gaia.
A proposta de Vale do Paraíso, embora preferida por muitos, também enfrenta críticas. A Associação das Empresas da Zona Industrial de São Caetano (AESC) contestou a solução, argumentando que implicaria um número elevado de expropriações, afetando negativamente a comunidade e o tecido económico da região.
A localização da estação do TGV em Gaia não é o único ponto de discórdia. O consórcio também propôs a construção de duas pontes para a travessia do Douro, uma solução que não foi aprovada pela APA. Tanto Luís Filipe Menezes como o presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, defendem a construção de uma única ponte ferroviária.
Carlos Mota Santos, CEO da Mota-Engil, confirmou que o novo projeto será submetido à APA este mês, mas não entrou em detalhes sobre a estação. A construção do primeiro troço do TGV, que liga a Estação da Campanhã a Oiã, no distrito de Aveiro, está prevista para arrancar em janeiro, com a conclusão esperada para 2030.
A polémica em torno da estação do TGV em Santo Ovídio continua a suscitar reações e discussões, refletindo a complexidade dos desafios que envolvem a construção de infraestruturas de transporte em áreas urbanas densamente povoadas. Leia também: O impacto da nova estação do TGV na economia local.
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Fonte: ECO





