A Universidade de Coimbra recebeu, recentemente, frascos de vidro com água tingida proveniente da fábrica ATB, Acabamentos Têxteis de Barcelos. Este momento marca um passo significativo para a tecnologia Dyeloop, que promete revolucionar a indústria da moda. A ideia é simples: limpar a água utilizada no tingimento têxtil e reaproveitar os corantes, criando um ciclo sustentável.
Desde o início de 2023, a Dyeloop tem sido desenvolvida em ambiente académico, mas a colaboração com a ATB permite agora que a tecnologia seja testada em condições reais de produção. Jorge Pereira, professor associado na Universidade de Coimbra e coordenador do projeto, destaca a importância desta parceria para a validação da tecnologia. “É um momento crucial, pois conseguimos levar a teoria para a prática”, afirma.
O primeiro teste foi um sucesso. Luís Cristino, especialista em sustentabilidade no setor têxtil, expressou a sua satisfação ao ver a água poluída ser purificada e os corantes recuperados. Esta inovação não só promete reduzir os custos de produção em mais de 50%, como também oferece uma solução ambientalmente responsável para um dos setores mais poluentes do mundo.
Atualmente, uma pequena e média empresa (PME) pode gastar entre 20 a 30 mil euros por mês em tratamento de água, o que representa um custo anual significativo. Com a implementação da tecnologia Dyeloop, as empresas poderão poupar até meio milhão de euros, ao mesmo tempo que contribuem para a redução da poluição hídrica.
A Dyeloop foi inicialmente concebida em parceria com investigadores na Índia, mas o projeto não avançou como esperado. Contudo, a equipa portuguesa perseverou, aperfeiçoando a tecnologia e registando-a como patente em 2024. A colaboração entre a academia e a indústria foi essencial para levar a Dyeloop ao próximo nível, com a instalação do protótipo industrial prevista para 2027, graças a um financiamento de 1,4 milhões de euros da Fundação Calouste Gulbenkian.
A implementação desta tecnologia é particularmente relevante, uma vez que cerca de 280 mil toneladas de corantes têxteis são libertadas anualmente em efluentes industriais. A Dyeloop não se limita a tratar a água, mas visa transformar resíduos em recursos reutilizáveis. Jorge Pereira sublinha que a água deve ser vista como uma matéria-prima valiosa, capaz de ser reciclada em processos fechados.
A inovação da Dyeloop representa uma oportunidade para colocar a indústria têxtil portuguesa na vanguarda da sustentabilidade. “Acreditamos que o futuro da indústria têxtil é circular”, conclui Jorge Pereira.
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Fonte: Sapo





