A presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, fez um apelo aos líderes dos Estados-membros da União Europeia para que utilizem “todos os instrumentos de diplomacia migratória disponíveis”. Este pedido surge em resposta à incerteza gerada pelo novo conflito no Médio Oriente, que, embora ainda não tenha provocado fluxos migratórios imediatos para a Europa, levanta preocupações sobre o futuro.
Na carta enviada aos líderes dos 27 Estados-membros, que se reúnem em Bruxelas na próxima quinta-feira, Von der Leyen sublinha a importância de uma colaboração estreita com países da região, como a Turquia, o Líbano e o Paquistão. Desde 2021, a União Europeia já investiu mais de 1,1 mil milhões de euros na Turquia para reforçar as suas fronteiras, um exemplo claro da aplicação de diplomacia migratória.
A líder da Comissão Europeia alerta que a atual situação geopolítica pode levar a um conflito prolongado, com repercussões diretas e indiretas para a União. O contexto é particularmente delicado, uma vez que se passaram 16 dias desde o início das ofensivas aéreas dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, que têm impactado vários países do Médio Oriente.
Von der Leyen também detalhou as medidas que a UE está a implementar para apoiar os países vizinhos afetados pelo conflito, com o objetivo de mitigar os potenciais fluxos migratórios. Um dos pontos destacados é a situação de quatro milhões de afegãos no Irão, que se encontram em condições precárias e vulneráveis a novas deslocações. A ajuda humanitária da UE para estas comunidades já está em curso.
Além disso, a presidente da Comissão Europeia sublinha que a tensão militar entre o Afeganistão e o Paquistão pode agravar uma situação já frágil. A cooperação com o Iraque, o Paquistão, a Arménia e o Azerbaijão é vista como essencial para combater o tráfico de migrantes, um tema central na diplomacia migratória.
No que diz respeito ao Líbano, Von der Leyen destaca as graves consequências da operação militar de Israel, que já provocou deslocações em grande escala, afetando mais de 800 mil pessoas. A Comissão Europeia já estabeleceu um acordo de financiamento com Beirute, que inclui 25 milhões de euros para a segurança das fronteiras terrestres e marítimas.
A situação na Síria também foi abordada, com Von der Leyen a afirmar que é crucial que a UE trabalhe com as autoridades sírias na estabilização e recuperação do país, bem como no apoio ao regresso dos refugiados. A monitorização das repercussões nos Balcãs Ocidentais é outra prioridade, com a Comissão a preparar um Pacto para o Mediterrâneo, que será apresentado em abril.
Este pacto incluirá medidas de gestão da migração em colaboração com parceiros europeus no sul do Mediterrâneo e a implementação do Pacto Europeu para a Migração e o Asilo, que entrará em vigor em junho. A diplomacia migratória, portanto, assume um papel central na estratégia da UE para enfrentar os desafios atuais.
Leia também: A importância da cooperação internacional na gestão da migração.
diplomacia migratória Nota: análise relacionada com diplomacia migratória.
Leia também: Chega critica censura após críticas na Futurália
Fonte: Sapo





