Banca em Portugal falha no financiamento a setores produtivos

O sistema bancário em Portugal continua a enfrentar críticas por não conseguir canalizar adequadamente recursos financeiros para os setores produtivos, especialmente para projetos inovadores. Esta conclusão é parte do mais recente barómetro da BusinessEurope, que avalia anualmente a competitividade na Europa com base nas opiniões dos seus membros, incluindo a Confederação Empresarial de Portugal (CIP).

Apesar das críticas, a maioria dos empresários inquiridos expressou satisfação com o setor bancário. No entanto, quando questionados sobre a sua experiência em Portugal, muitos afirmaram estar “insatisfeitos”, apontando a dificuldade de acesso ao crédito como a principal razão. Para a maioria das pequenas e médias empresas (PME) em Portugal, o acesso ao financiamento a setores produtivos em outros países não é uma opção viável.

Esta insatisfação contrasta com a percepção de empresas em outros países europeus, onde quase 50% dos inquiridos se dizem satisfeitos com o funcionamento do setor bancário local. Apenas cerca de 19% dos empresários em Portugal acredita que houve melhorias nas condições para atrair investimentos, com muitos a considerar que a situação se estagnou ou piorou.

Os empresários portugueses identificaram cinco desafios principais que ameaçam a atratividade da União Europeia para investimentos: o ambiente regulatório, os preços da energia, o regime fiscal, o acesso ao financiamento e a capacidade de inovação. Estes desafios são semelhantes aos identificados por empresas em outros países da UE, que também mencionam barreiras regulatórias e custos elevados como obstáculos ao investimento.

Joana Valente, diretora executiva de relações internacionais da CIP, defende que o investimento privado é crucial para aumentar a competitividade europeia. Contudo, ela alerta que os programas e políticas da UE podem ser decisivos na orientação e alavancagem desse investimento. A implementação dos programas da Política de Coesão ainda não é satisfatória, mas há expectativas de progresso.

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A fiscalidade também é uma preocupação para os empresários nacionais. Eles acreditam que a introdução do Imposto Mínimo Global da OCDE/G20 piorou a atratividade da UE para investidores. A necessidade de simplificar as regras fiscais e oferecer maior flexibilidade nos créditos de imposto é uma das principais reivindicações.

Além disso, o barómetro destaca que a carga administrativa na Europa é superior à de concorrentes como os EUA e a China, criando uma concorrência desleal. A BusinessEurope propõe uma abordagem recalibrada que preserve a competitividade e facilite os negócios na UE.

Os preços da energia também são uma preocupação crescente. O relatório Draghi já havia identificado os preços elevados da eletricidade e do gás natural como um “obstáculo estrutural crítico”. Em 2024, os preços da eletricidade industrial em Portugal atingiram 0,199 euros/kWh, significativamente mais altos do que em países como os EUA e a China.

O relatório conclui que o problema da Europa não é a falta de estratégia, mas sim a execução dessas estratégias. Apenas 11% das recomendações feitas em relatórios anteriores foram implementadas até agora. A urgência de medidas concretas para aliviar a carga das empresas é cada vez mais evidente, especialmente face à crescente concorrência global.

Leia também: O impacto da fiscalidade nas PME em Portugal.

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Fonte: ECO

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