A Agência Internacional de Energia (IEA) manifestou a sua disposição para libertar mais reservas de petróleo, numa tentativa de controlar os preços que já ultrapassam os 100 dólares por barril. O diretor da IEA, Fatih Birol, afirmou que a intervenção rápida da agência teve um efeito tranquilizador nos mercados, embora tenha alertado que, apesar de os nossos estoques poderem oferecer uma solução temporária, não se trata de uma resposta duradoura.
Na semana passada, mais de 30 países, sob a coordenação da IEA, decidiram libertar 400 milhões de barris de petróleo, o que equivale a quatro dias de consumo global. Contudo, a reação dos mercados foi negativa, com os preços do petróleo a voltarem a disparar, superando novamente a barreira dos 100 dólares por barril no final da semana passada. Esta segunda-feira, o preço do barril recuou 1%, situando-se ligeiramente acima dos 102 dólares.
A situação no Médio Oriente, particularmente a guerra entre os EUA e o Irão, agrava ainda mais a incerteza nos mercados. O governo israelita anunciou planos para prolongar a guerra por mais três semanas, após bombardeamentos ao Irão. O presidente dos EUA pediu ajuda aos aliados para reabrir o estreito de Ormuz, uma rota crucial que transporta 20% do petróleo e gás consumido globalmente. No entanto, a tarefa é complexa, uma vez que Teerão tem utilizado drones, mísseis e minas para dificultar a navegação na região.
Os aliados dos EUA, incluindo países da União Europeia, mostraram-se relutantes em se envolver militarmente, enquanto o Japão e o Reino Unido também não têm planos de intervir. O ministro dos Negócios Estrangeiros do Luxemburgo, Xavier Bettel, afirmou que o seu país não pretende ser chantageado.
Atualmente, o mundo enfrenta o maior corte de abastecimento de energia da sua história, com 20% do fornecimento global de petróleo interrompido devido ao bloqueio do estreito de Ormuz pelo Irão. Este cenário ultrapassa o recorde anterior, que remonta à crise do Suez em 1956, quando apenas 10% do fornecimento foi afetado.
O Ayatollah Mojtaba Khamenei já advertiu que o estreito permanecerá fechado como uma “ferramenta de pressão” enquanto os ataques dos EUA e de Israel continuarem. Os analistas do Deutsche Bank alertam que os mercados estão a preparar-se para uma guerra prolongada que poderá causar danos económicos significativos.
A situação atual é alarmante, especialmente se comparada a crises passadas, como o embargo árabe de 1973, que resultou na interrupção de apenas 7% do fornecimento. A Revolução Iraniana e a primeira guerra do Golfo também tiveram impactos menores, com cortes inferiores a 10%. A gravidade da situação atual, com a produção global a ser severamente afetada, levanta preocupações sobre a estabilidade futura dos preços do petróleo.
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Fonte: Sapo





