O estreito de Ormuz é uma rota vital para o comércio mundial de petróleo e gás, representando cerca de 20% do tráfego global. No entanto, a sua reabertura tem-se revelado um desafio complexo, especialmente após o Irão ter cortado o acesso como forma de pressão sobre os Estados Unidos. Esta situação já provocou um aumento significativo nos preços do petróleo, que subiram quase 50% em apenas um mês.
Além do impacto nos preços do petróleo, o bloqueio do estreito de Ormuz coloca em risco a segurança alimentar global, uma vez que cerca de um terço dos fertilizantes utilizados em todo o mundo são produzidos na região e exportados através deste estreito. A situação é alarmante, dado que os preços do barril de petróleo já ultrapassaram os 100 dólares.
As dificuldades para reabrir o estreito de Ormuz estão ligadas a vários fatores. Para começar, a largura do canal de navegação é bastante reduzida, com apenas duas milhas náuticas (aproximadamente 3,7 km). Além disso, a presença de ilhas iranianas, como a ilha de Qeshm, complica a passagem de navios. A costa iraniana, caracterizada por montanhas, serve como refúgio para as forças armadas do país, que ainda dispõem de várias opções de ataque, incluindo lanchas rápidas e drones.
A possibilidade de escoltar navios através do estreito de Ormuz foi discutida, mas essa operação exigiria um número significativo de contratorpedeiros e apoio aéreo. Apesar de ser viável a curto prazo, a manutenção dessa operação ao longo de meses seria um desafio logístico e financeiro considerável. Donald Trump, em recente conferência, sublinhou que a disposição dos navios para serem escoltados é fundamental, mas atualmente essa colaboração não está a acontecer.
As seguradoras já alertaram os armadores que não cobrirão custos relacionados com ataques na região, o que agrava ainda mais a situação. O presidente dos EUA expressou a esperança de que o estreito de Ormuz possa ser reaberto em breve, mas reconheceu que a participação de aliados na missão naval é crucial e, até ao momento, não há grande entusiasmo por parte de várias nações.
A Agência Internacional de Energia (IEA) está a considerar a libertação de mais reservas de petróleo para tentar conter a escalada dos preços. Embora a ação rápida da IEA tenha tido um efeito calmante temporário, a reabertura do estreito de Ormuz continua a ser vista como a solução mais importante para estabilizar os mercados de petróleo e gás.
A guerra entre os EUA e o Irão continua a intensificar-se, com o governo israelita a planejar mais ações militares. O bloqueio do estreito de Ormuz já resultou na interrupção de 20% do fornecimento global de petróleo, um corte sem precedentes que supera crises anteriores, como a crise do Suez em 1956. O Ayatollah Khamenei já afirmou que o estreito permanecerá fechado enquanto os ataques dos EUA e de Israel continuarem.
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Fonte: Sapo





