O mais recente relatório Global Economic Prospects do Banco Mundial alerta para uma crescente incerteza no comércio global, que poderá resultar numa desaceleração do crescimento de 2,3% em 2025. Este cenário afeta tanto as economias desenvolvidas como os mercados emergentes, levando muitas empresas a acelerar a implementação de inteligência artificial (IA) nas suas operações. De acordo com um inquérito da McKinsey realizado em março de 2025, 78% das organizações já utilizam IA em pelo menos uma função empresarial, um aumento significativo em relação aos 72% do início de 2024 e 55% do ano anterior.
A inteligência artificial é considerada a tecnologia mais transformadora da atualidade. A nova geração de IA, conhecida como IA de agente, consiste em agentes inteligentes que aprendem, raciocinam e executam tarefas de forma autónoma. Esta evolução promete redefinir a forma como as empresas operam e competem. No entanto, a transição para uma “agente enterprise” pode ser desafiante. Para desbloquear o potencial da IA de agentes, as empresas devem alinhar a sua estratégia com uma abordagem prática, preparar a infraestrutura tecnológica e definir métricas de sucesso.
Um dos principais obstáculos à produtividade nas empresas é o tempo que os trabalhadores gastam em tarefas repetitivas e de baixo valor. Quase metade dos trabalhadores de escritório admite que parte do seu tempo é desperdiçado em atividades que não estão relacionadas com as suas funções principais. A identificação de ineficiências operacionais e a análise do valor oculto são passos cruciais para revitalizar a produtividade. É essencial localizar fluxos de trabalho que, apesar de serem de elevado valor, apresentam baixo desempenho. A automação de tarefas manuais e a personalização das interações com os clientes são exemplos de como a inteligência artificial pode ajudar.
A implementação de agentes de IA não visa substituir os trabalhadores, mas sim capacitá-los a focar nas suas competências mais valiosas, como a estratégia e a inovação. Por exemplo, um profissional de marketing pode ser apoiado por agentes de IA que planeiam e executam campanhas, enquanto um vendedor pode ter acesso a análises de dados em tempo real para identificar leads com maior potencial de conversão.
Para que as empresas possam tirar partido da inteligência artificial, é fundamental que a infraestrutura de TI seja dinâmica e capaz de suportar o trabalho digital. Isso permite que as empresas realoquem a capacidade humana para áreas onde possam ter um impacto significativo, ajudando a desbloquear novas fontes de receita e modelos de negócio. No entanto, a Gartner alerta que mais de 40% dos projetos de IA de agentes podem ser cancelados até 2027, muitas vezes devido à falta de clareza sobre o valor que trazem.
Medir o retorno sobre o investimento (ROI) é essencial. Para as equipas de serviço ao cliente, isso pode significar avaliar a satisfação dos clientes através de um suporte 24/7, onde os agentes de IA triagem pedidos e fornecem instruções. Para as equipas de vendas, o ROI pode ser medido pela rapidez nas respostas e pela taxa de qualificação de leads. A inteligência artificial permite interações personalizadas e eficientes, libertando os colaboradores para se concentrarem em áreas que impulsionam o crescimento.
Num contexto de desafios crescentes, a era da IA de agentes representa uma oportunidade para as empresas aumentarem a sua produtividade. As organizações que reconhecem a importância de adotar uma nova abordagem ao trabalho, investindo em inteligência artificial, estarão melhor posicionadas para enfrentar os desafios do futuro. Leia também: A importância da transformação digital nas empresas.
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Fonte: Sapo





