O Banco de Portugal divulgou recentemente dados que revelam a importância dos intermediários não bancários no sistema financeiro nacional. Segundo a Nota de Informação Estatística referente ao ano de 2025, estes intermediários representam 88% do total de entidades financeiras em Portugal e detêm 14% do ativo do setor.
No final de 2025, o ativo dos intermediários não bancários, que inclui auxiliares financeiros e instituições financeiras cativas e prestamistas, totalizou 135,9 mil milhões de euros. Este valor representa uma diminuição de 2,2 mil milhões de euros em relação ao ano anterior, sendo que a extinção de algumas entidades no subsetor das instituições financeiras cativas e prestamistas foi a principal responsável por esta queda, com uma redução de 9 mil milhões de euros.
Por outro lado, o subsetor dos outros intermediários financeiros registou um crescimento significativo, com um aumento de 3,3 mil milhões de euros no seu ativo. Este crescimento foi impulsionado, em grande parte, pelos veículos de titularização de crédito, que viram o stock de empréstimos concedidos aumentar em 2,6 mil milhões de euros, atingindo 17,5 mil milhões de euros no final do ano. Os principais cedentes de crédito continuam a ser as instituições financeiras monetárias e não monetárias, com 8,1 mil milhões e 7,3 mil milhões de euros, respetivamente.
O Banco de Portugal sublinha que, apesar de não estarem autorizadas a captar depósitos, as instituições financeiras não monetárias, especialmente os intermediários não bancários, desempenham um papel crucial na economia. Elas facilitam a canalização de recursos entre aqueles que têm excedentes e aqueles que necessitam de financiamento.
Em termos de estrutura, no final de 2025, 58% das entidades do setor eram auxiliares financeiros, embora estes representassem apenas 6% do ativo total. As instituições financeiras cativas e prestamistas, por sua vez, constituíam 37% do total, mas representavam 73% do ativo. Os outros intermediários financeiros, que incluem entidades de intermediação financeira, representavam 5% das entidades, mas 21% do ativo total.
As instituições financeiras cativas e prestamistas incluem uma variedade de entidades, como sociedades gestoras de participações sociais e prestamistas, e o seu ativo é predominantemente composto por títulos de capital. Já os outros intermediários financeiros, que excluem seguradoras e fundos de pensões, financiam-se através de empréstimos ou emissão de títulos, destacando-se as entidades de titularização de crédito.
Os auxiliares financeiros, que abrangem corretores de seguros e instituições de pagamento, desempenham um papel importante na intermediação financeira, embora não realizem esta intermediação diretamente. O ativo e passivo destes auxiliares são relativamente diversificados.
Em suma, os intermediários não bancários têm um papel complementar ao dos bancos tradicionais no sistema financeiro português. O Banco de Portugal enfatiza que os dados agora disponibilizados são fundamentais para acompanhar a evolução deste segmento e as suas implicações no financiamento da economia.
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intermediários não bancários Nota: análise relacionada com intermediários não bancários.
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Fonte: Sapo





