Desaceleração do turismo em Portugal prevista para 2026

O turismo em Portugal enfrenta uma desaceleração prevista para 2026, com um aumento estimado de apenas 2,8% no número de hóspedes, de acordo com a Nota Informativa do BPI Research divulgada esta semana. Este crescimento é uma correção em relação ao aumento de 3% registado em 2025, resultando de um cenário “endógeno” que considera tanto a expansão da capacidade hoteleira como os impactos negativos das intempéries ocorridas no início do ano.

Em 2025, os estabelecimentos de alojamento turístico em Portugal acolheram 32,5 milhões de hóspedes, gerando 82,1 milhões de dormidas. Os proveitos totais do setor aumentaram 7,2%, impulsionados pela inflação e pela valorização na cadeia de valor. Embora o mercado externo tenha representado 69,4% das dormidas, o seu crescimento foi modesto, apenas 0,8%, enquanto o turismo interno avançou 5,4%. O Reino Unido continua a ser o principal emissor de turistas, apesar de uma ligeira queda de 1,5%.

Os dados regionais mostram que a Península de Setúbal e a Madeira lideraram o crescimento em 2025, com aumentos de 5,4% e 4,8% no número de hóspedes, respetivamente. Por outro lado, o Algarve registou um crescimento mais modesto de 1,8%. O turismo rural e de habitação destacou-se, com um aumento de 7% nas dormidas.

Para 2026, o BPI Research antecipa um crescimento global de 3,4% no turismo em Portugal, que é inferior à previsão das Nações Unidas para o turismo mundial, que varia entre 3% e 4%. A expansão da oferta hoteleira, com a abertura de 76 novos hotéis e 8.154 camas, deverá contribuir com 0,2% ao total de hóspedes. Contudo, as cheias que afetaram 68 municípios, correspondendo a 14,9% dos estabelecimentos turísticos, poderão causar uma redução de 0,8% no número de visitantes, especialmente nos meses de fevereiro a maio.

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O crescimento do turismo em Portugal será desigual entre os diferentes mercados emissores. O BPI estima um aumento de 2% nos EUA e 3% no Canadá, embora a realização do Mundial de Futebol de 2026 possa desviar a atenção para o turismo interno nesses países. Em contrapartida, o turismo proveniente de mercados europeus deverá crescer apenas 2%, com uma estabilização esperada em países como Espanha, França e Itália.

Além disso, o BPI destaca que o conflito no Médio Oriente poderá ter um efeito positivo no turismo em Portugal, ao limitar as viagens para destinos mais distantes e favorecer o turismo intraeuropeu. A análise sugere que o crescimento de mercados emergentes, como o México e a Coreia do Sul, poderá também contribuir para o aumento do turismo em Portugal, com uma expectativa de crescimento anual de 8%.

Economicamente, o peso do turismo no PIB deverá aumentar de 17% em 2025 para 17,5% em 2026, com o Valor Acrescentado Bruto do turismo a atingir 23,1 mil milhões de euros. Apesar do crescimento moderado, o setor continua a ser um motor crucial da economia nacional, embora enfrente desafios significativos de competitividade e sustentabilidade.

Em suma, 2026 será um ano de crescimento positivo, mas mais moderado para o turismo em Portugal, marcado pela resiliência do mercado interno e pela capacidade de atrair novos visitantes, apesar dos desafios que se avizinham. Leia também: O impacto das cheias no turismo rural.

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Fonte: Sapo

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