Mortes causadas por sanções económicas superam as de guerras

A decisão de declarar uma guerra ou implementar sanções económicas é, muitas vezes, tomada por um pequeno grupo de políticos no topo do poder das grandes potências. Estas decisões têm consequências devastadoras, incluindo a perda de vidas humanas, que podem ser mais significativas do que se imagina. Um estudo recente da revista The Lancet Global Health, publicado em agosto de 2025, revela que as sanções económicas unilaterais, especialmente as impostas pelos Estados Unidos e pela União Europeia, resultam em um número alarmante de mortes.

Este estudo, considerado rigoroso e baseado em uma metodologia sólida, quantifica pela primeira vez as mortes anuais causadas por sanções económicas em comparação com as guerras. As sanções económicas, frequentemente vistas como uma alternativa menos letal à guerra, revelam-se, na verdade, um instrumento de política externa com consequências mortais significativas.

Segundo a pesquisa, as sanções económicas unilaterais causam, em média, 564.258 mortes por ano, totalizando mais de 22 milhões de mortes nas últimas quatro décadas. Em contraste, o número de mortes diretamente atribuídas a guerras é de cerca de 106.000 por ano, resultando em aproximadamente 4,2 milhões de mortes durante o mesmo período. Esses números chocantes desafiam a percepção comum de que as sanções económicas são menos graves do que a guerra.

As sanções económicas têm efeitos prolongados e indiretos. Embora não sejam letais como as armas, elas afetam gravemente as infraestruturas de saúde, levando à escassez de medicamentos e ao colapso dos serviços de saúde. Além disso, as sanções impactam a segurança alimentar, dificultando a importação de produtos essenciais e provocando subnutrição e fome.

O estudo destaca que as populações mais vulneráveis, como crianças e idosos, são as mais afetadas pelas sanções, enquanto as guerras tendem a impactar mais as populações em idade ativa. Este aspecto é crucial para entender a complexidade das consequências das sanções económicas.

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A guerra na Ucrânia e as sanções económicas impostas à Rússia oferecem um exemplo claro das repercussões. Apesar de 20 pacotes de sanções, o Fundo Monetário Internacional (FMI) previu que a economia russa teria uma queda menor do que o esperado. Por outro lado, a Europa enfrenta uma perda de competitividade e emprego, com empresas a fechar devido ao aumento dos preços da energia.

A comparação entre as mortes causadas por sanções económicas e guerras levanta questões importantes sobre a eficácia e a moralidade dessas políticas. É fundamental refletir sobre as consequências das sanções e considerar se elas realmente cumprem os objetivos pretendidos ou se, pelo contrário, agravam a situação das populações afetadas.

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Fonte: Sapo

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