Empresas cumprem planos contra fosso salarial entre géneros

A Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) revelou que a maioria das quatro mil empresas notificadas está a implementar planos para combater o fosso salarial entre homens e mulheres. Até ao momento, apenas cerca de 100 sanções foram aplicadas por incumprimento, o que indica um esforço significativo por parte das empresas em atender às exigências legais.

Maria Fernanda Campos, inspetora-geral da ACT, partilhou estas informações durante a iniciativa “Mulheres com ECO”. A inspetora destacou que as empresas têm demonstrado empenho em elaborar e apresentar os seus planos, com a maioria a cumprir as normas estabelecidas. “Tem sido muito interessante. Notificámos um pouco menos de quatro mil entidades empregadoras, que têm estado a entregar os planos e a fazer um esforço para os desenhar da melhor maneira”, afirmou Campos.

As notificações da ACT surgiram em resposta a um fosso salarial de género superior a 5% identificado em várias empresas, que foram instadas a apresentar um plano de avaliação das diferenças salariais. As empresas tiveram um prazo de 12 meses para implementar essas medidas e reportar os resultados à ACT.

Embora a maioria das empresas esteja a cumprir, Maria Fernanda Campos reconheceu que a construção destes planos não tem sido fácil. Muitas empresas enfrentam dificuldades devido à falta de alinhamento entre diferentes instrumentos e categorias profissionais. No entanto, a inspetora-geral mostrou-se otimista quanto à receção das novas regras de transparência salarial, que Portugal deverá transpor até ao verão, com o objetivo de reduzir as desigualdades salariais.

A advogada Madalena Caldeira, que participou na mesma conversa, sublinhou que as notificações da ACT tiveram um impacto positivo, colocando o tema do fosso salarial na agenda das empresas. “Estas notificações deram diretrizes às empresas e ajudaram”, afirmou Caldeira. A especialista também destacou que, idealmente, a transposição da diretiva europeia sobre transparência salarial deveria ter sido incluída na reforma da lei do trabalho, mas reconheceu que caminhos separados podem ser mais eficazes.

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Soledade Carvalho Duarte, managing director da Transearch Portugal, alertou para a complexidade que as novas regras de transparência salarial podem trazer, especialmente para as pequenas empresas. “Preocupa-me como é que as empresas mais pequenas podem dar resposta a esta complexidade”, disse.

A discussão sobre o fosso salarial não se limitou apenas às empresas. A reforma da lei do trabalho, que está a ser debatida desde julho de 2025, também foi abordada. Um dos pontos críticos é a proposta do Governo de permitir que todas as empresas possam pedir ao tribunal que afaste a reintegração de trabalhadores após despedimentos considerados ilícitos, mediante o pagamento de uma indemnização.

A inspetora-geral da ACT notou que, normalmente, há poucas reintegrações e que muitos trabalhadores preferem optar pela indemnização. No entanto, a possibilidade de reintegração continua a ser um fator dissuasor para despedimentos ilícitos.

A luta contra o fosso salarial e a promoção da igualdade de género no mercado de trabalho são desafios que persistem. Maria Fernanda Campos enfatizou que a educação é a chave para avançar nesta questão, sublinhando a importância de promover uma cultura de igualdade desde a base.

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Fonte: ECO

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