O Pinhal Interior está a preparar-se para um verão complicado, com o risco de incêndios a aumentar significativamente. Após a tempestade Kristin, que deixou muitos caminhos florestais intransitáveis, autarcas da região expressam a sua preocupação e pedem ajuda do Exército para a limpeza das florestas.
Em Pedrógão Grande, o presidente da Câmara, João Marques, revelou que a situação é alarmante. “Quase todos os caminhos florestais estão intransitáveis”, afirmou, sublinhando que, apesar dos esforços das equipas locais, será difícil responder a todas as necessidades antes do início da época de incêndios. O prazo para a limpeza dos terrenos foi alargado até 30 de junho, mas a realidade no terreno é preocupante.
Fiona e Adrian Wisher, um casal britânico residente em Pesos, já começaram a preparar-se para o risco de incêndios. “Temos os tanques de água cheios e temos andado a limpar o terreno”, contou Fiona, que está ciente da gravidade da situação. Ao lado da sua propriedade, árvores caídas e caminhos bloqueados aumentam a preocupação com o potencial avanço do fogo.
O presidente da Câmara de Ansião, Jorge Cancelinha, também manifestou a sua apreensão. Com 600 quilómetros de caminhos florestais a necessitar de limpeza, ele considera que os prazos impostos para a remoção de vegetação são “fantasia”. A falta de recursos é uma realidade que afeta a capacidade de resposta das autarquias.
Carlos Pinto Trindade, presidente da Junta de Freguesia de Alvaiázere, partilha a mesma preocupação. “Daqui a dois meses, já se começa a falar em fogos e temos muitos caminhos florestais para limpar”, afirmou, pedindo apoio do Estado para que as autarquias não fiquem sozinhas nesta luta.
O especialista em incêndios florestais, Domingos Xavier Viegas, alerta para a urgência de remover a madeira caída, que pode aumentar o risco de incêndios. “Se houver algum foco de incêndio, essa biomassa vai estar disponível para arder”, disse, enfatizando que a situação é ainda mais complicada devido à orografia da região.
Em Figueiró dos Vinhos, o presidente da Câmara, Carlos Lopes, e o comandante dos bombeiros pedem a intervenção do Exército para desobstruir caminhos e limpar florestas. “Estamos apreensivos com a época de incêndios que se aproxima”, afirmou Lopes, que já viu o apoio militar após a tempestade Kristin e gostaria de contar novamente com essa ajuda.
Ferreira do Zêzere também enfrenta desafios significativos, com prejuízos que podem chegar a 150 milhões de euros. O presidente da Câmara, Bruno Gomes, destacou a necessidade urgente de apoio financeiro para recuperar infraestruturas e apoiar as famílias afetadas.
A situação no Pinhal Interior é crítica e a preparação para o verão é essencial para minimizar o risco de incêndios. As autarquias pedem apoio e recursos para garantir que as florestas estejam limpas e seguras antes da chegada do calor.
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risco de incêndios Nota: análise relacionada com risco de incêndios.
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Fonte: ECO





