O economista mauritano Sidi Ould Tah tomou posse hoje como presidente do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), numa cerimónia realizada em Abidjan, Costa do Marfim. Ele foi eleito para o cargo em maio e, ao assumir as suas funções, reafirmou o seu compromisso em trabalhar para “construir uma África robusta e próspera”.
Na sua declaração, Sidi Ould Tah destacou os desafios que o continente enfrenta, incluindo a redução da ajuda internacional ao desenvolvimento, o elevado nível de endividamento e os efeitos das alterações climáticas. “África está de olhos postos em nós, a juventude espera por nós, é hora de agir”, sublinhou, enfatizando a importância da paz como um pilar fundamental para o desenvolvimento.
O BAD, fundado em 1964 e com 81 países membros, dos quais 54 são africanos, é um dos principais bancos multilaterais de desenvolvimento. A instituição opera num contexto internacional desafiante, especialmente após o anúncio dos Estados Unidos de que iriam cortar a sua contribuição de 500 milhões de dólares para o fundo do banco, destinado a apoiar países africanos de baixo rendimento.
Sidi Ould Tah, que se torna assim o primeiro mauritano a liderar o BAD, tem 60 anos e traz consigo uma vasta experiência, incluindo um mandato de 10 anos à frente do Banco Árabe para o Desenvolvimento Económico em África (BADEA). Na sua campanha, defendeu a necessidade de atrair novos financiadores, especialmente dos países do Golfo, para compensar a diminuição do apoio financeiro ocidental.
O novo presidente sucede ao nigeriano Akinwumi Adesina, que esteve à frente do BAD desde 2015 e que, durante o seu mandato, conseguiu um aumento significativo do capital autorizado da instituição, passando de 93 mil milhões de dólares para 318 mil milhões de dólares. Sob a liderança de Adesina, o BAD também reportou um lucro de 310 milhões de euros no ano passado e aprovou investimentos de 10,6 mil milhões de euros em novos projetos.
Com mais de 35 anos de experiência em financiamento do desenvolvimento, Sidi Ould Tah é visto como uma figura capaz de fortalecer as parcerias do BAD com países do Golfo, que têm aumentado os seus investimentos em África. Essas colaborações podem ser cruciais para mitigar a redução dos fluxos de assistência financeira do Ocidente.
Os recursos do BAD provêm de subscrições dos países membros, de empréstimos nos mercados internacionais e dos rendimentos dos empréstimos. Nos últimos anos, o banco tem sido fundamental em projetos de grande envergadura, como a construção da maior estação de tratamento de águas residuais de África, no Egito, e a ampliação do porto de Lomé, no Togo.
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Fonte: Sapo





