Euronext apresenta 300 relatórios ESG conforme novas regras europeias

A Euronext, a operadora da bolsa de Lisboa, anunciou que 300 empresas cotadas já apresentaram os seus relatórios de sustentabilidade, em conformidade com a nova regulação europeia. Este levantamento revela que estas empresas geraram um total de 279 mil milhões de euros em receitas alinhadas com a taxonomia europeia. Este estudo foi divulgado durante a Semana da Sustentabilidade Euronext, no âmbito do Relatório das Tendências ESG 2025.

Em fevereiro, a Comissão Europeia lançou um pacote de simplificação que abrange três diplomas de sustentabilidade, incluindo a Taxonomia Europeia e a Diretiva de Relatórios de Sustentabilidade Corporativa (CSRD). Esta diretiva obriga as empresas a reportar informações sobre o impacto das suas atividades nas áreas ambiental, social e de governança, conhecidas como ESG.

Com as alterações introduzidas pelo Omnibus, as grandes empresas cotadas são as primeiras obrigadas a apresentar relatórios de sustentabilidade de acordo com a CSRD, já este ano. As grandes empresas que cumpram pelo menos dois dos três critérios estabelecidos terão até 2027 para se adaptarem. As pequenas e médias empresas, por sua vez, terão até 2028 para cumprir esta obrigação, podendo adiar até 2030.

Apesar das preocupações geradas pela simplificação, a Euronext manifestou apoio ao Omnibus, reconhecendo a sua “boa intenção”, segundo Camille Leca, responsável de ESG na Euronext. Leca destacou que o número de relatórios entregues está em linha com as empresas elegíveis antes da implementação do Omnibus, e espera que as empresas continuem a reportar, mesmo com a redução do número de entidades obrigadas a fazê-lo. A taxa de incumprimento foi considerada “muito pequena”.

“É essencial que investidores e analistas consigam avaliar a resiliência das empresas e captar as tendências ESG nas suas análises”, afirmou Camille Leca durante a apresentação do relatório, que decorreu em conferência online.

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O estudo também revelou melhorias significativas em termos de diversidade e inclusão. A diversidade de género nos conselhos de administração aumentou 2,8 pontos percentuais desde 2022, com 35,2% dos membros a serem mulheres em 2024. A representatividade feminina em cargos de gestão subiu 1,1% nos últimos três anos. Além disso, a proporção de membros independentes nos conselhos de administração cresceu para 52,3% em 2024, comparado com 51,2% em 2022.

Em relação às emissões de gases de efeito estufa, as empresas cotadas reduziram as suas emissões diretas e indiretas em 10% nos três anos até 2024. O reporte sobre consumo de energia também aumentou em 21% desde 2020, com 739 empresas a adotar esta prática. A intensidade energética, medida pela energia consumida por unidade de receita, diminuiu 7%, evidenciando uma evolução positiva.

Os setores financeiro, das utilities e da tecnologia foram os que mais reduziram o consumo de energia entre 2022 e 2024, com quedas de 61%, 43% e 42%, respetivamente. Por outro lado, o setor de bens de consumo não essenciais registou um aumento de 122% no consumo de energia, seguido pelo imobiliário (37%) e saúde (11%).

Mais de 250 empresas cotadas na Euronext estão comprometidas com a Science Based Targets initiative (SBTi), com 109 a possuírem estratégias de neutralidade carbónica e 217 a terem objetivos de curto prazo aprovados pela SBTi, representando 86% do total.

Leia também: O impacto das novas regulamentações na sustentabilidade empresarial.

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Fonte: ECO

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