Draycott não sente pressão para investir em Portugal

A Draycott, uma sociedade de private equity e capital de risco, revelou que não sente pressão para investir em Portugal, ao contrário do que acontece em outros países europeus. Segundo Francisco Guimarães Neto, sócio responsável pelas Relações com os Investidores, o capital disponível em Portugal, conhecido como dry powder, não é excessivo, o que permite à empresa ser seletiva nas suas decisões de investimento.

Em entrevista ao ECO, Guimarães Neto destacou que Portugal apresenta boas oportunidades de investimento, especialmente em empresas que necessitam de consolidação e que têm planos de internacionalização. No entanto, ele também reconheceu que o mercado português enfrenta uma escassez de investidores institucionais, o que pode dificultar o acesso a capital. “A Draycott não está numa posição de ter capital pressionado a ser investido. Não temos emergência de ser deal-takers”, afirmou.

Apesar das dificuldades, a perspetiva para o mercado transacional em 2026 é positiva. Guimarães Neto acredita que o foco deve estar na identificação de boas empresas e na execução de saídas, ou seja, na realização de exits, num ambiente que se torna cada vez mais exigente. A Draycott, que gere 745 milhões de euros e conta com uma equipa de 35 profissionais, tem uma estratégia de investimento baseada em três eixos: aquisições maioritárias, PME com faturação abaixo dos 10 milhões de euros e negócios isolados a nível europeu.

A empresa procura aproveitar a fragmentação do mercado português para construir campeões nacionais através de sucessivas aquisições. “Há muitos setores que têm um nível de fragmentação muito evidente, em que não há um líder. O que queremos fazer é construir plataformas de raiz”, explicou Guimarães Neto.

A nível global, o private equity ainda apresenta níveis significativos de dry powder, embora abaixo dos máximos históricos. A crescente exigência na alocação de capital é uma das razões para esta mudança. O ambiente de investimento tem evoluído, e a pressão sobre as margens tem levado a um maior escrutínio na forma como os capitais são alocados.

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Além disso, a Draycott está atenta à fragmentação no setor da gestão de ativos. Um relatório recente da Oliver Wyman e Morgan Stanley indica que os casamentos entre gestoras de ativos e fortunas estão a aumentar, refletindo a necessidade de escala num mercado cada vez mais competitivo. Guimarães Neto concluiu que, nos próximos cinco anos, essa mudança estrutural também afetará os investimentos alternativos, onde só as empresas que se tornarem uma “one-stop-shop” conseguirão prosperar.

Leia também: O impacto da escassez de investidores no mercado português.

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Fonte: ECO

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