Na passada terça-feira, o funicular que liga os Restauradores a São Pedro de Alcântara foi palco de um trágico acidente, resultando na morte de 16 pessoas e em vários feridos. Este incidente trouxe à tona a importância dos funiculares em Lisboa, que são geridos pela Carris. A cidade conta com três destes transportes históricos: o ascensor da Glória, o do Lavra e o da Bica, todos com mais de um século de história.
Os funiculares desempenham um papel crucial na mobilidade urbana, permitindo que os cidadãos superem desníveis acentuados. Carlos Neves, engenheiro mecânico, sublinha que estes meios de transporte são fundamentais para facilitar o acesso entre zonas baixas e altas da cidade. Mário Vaz, professor catedrático da Faculdade de Engenharia do Porto, acrescenta que são especialmente úteis para pessoas idosas ou com dificuldades de locomoção.
A ausência dos funiculares obrigaria os utentes a recorrer a trajetos mais longos ou a meios de transporte individuais, aumentando a congestão do espaço público. Graham Miller, do Westmount Institute for Tourism, destaca ainda que os ascensores são uma imagem icónica de Lisboa, contribuindo para a atratividade turística da cidade.
Os funiculares, que operam em planos inclinados, têm uma integração harmoniosa na paisagem urbana e são considerados uma opção de transporte sustentável. Ao reduzir a necessidade de veículos particulares, ajudam a promover uma mobilidade urbana mais ecológica. Além disso, a eletricidade utilizada é de baixo consumo, e se for proveniente de fontes limpas, as emissões de gases com efeito de estufa podem ser praticamente eliminadas.
Apesar de todos os benefícios, os especialistas concordam que é urgente modernizar os funiculares. Mário Vaz questiona a viabilidade de continuar a usar sistemas com mais de 100 anos e defende a necessidade de atualizações tecnológicas. Carlos Neves reforça que as melhorias não precisam comprometer a estética dos veículos, podendo ser implementadas nas suas partes inferiores.
A modernização pode incluir a instalação de sistemas de segurança, como sensores que detectam acelerações excessivas e acionam travagens automáticas. O cabo, um componente vital, deve ser monitorizado de perto, considerando o peso dos passageiros e a carga suportada em cada viagem. Neves sugere que sejam realizados simulacros para preparar os operadores para situações de emergência e que o programa de manutenção seja atualizado conforme o uso.
Os funiculares são uma solução eficaz para terrenos íngremes, mas a sua modernização é essencial para garantir a segurança e eficiência do transporte. A implementação de novas tecnologias pode não só preservar a identidade cultural da cidade, mas também assegurar que este meio de transporte continue a ser uma opção viável e sustentável para os lisboetas.
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Fonte: ECO





