O mercado de investimento em imobiliário comercial em Portugal atingiu um volume recorde de 1,23 mil milhões de euros no primeiro semestre de 2025, representando um aumento de 69% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Segundo a consultora Savills, este crescimento é amplamente atribuído ao setor do retalho, que movimentou 616 milhões de euros, um aumento impressionante de 360% face ao primeiro semestre de 2024.
Alexandra Gomes, autora do relatório da Savills, explica que o renascimento do interesse dos investidores neste segmento foi impulsionado pela recuperação do fluxo de visitantes e das vendas nos centros comerciais, além da procura sustentada dos consumidores, beneficiada pelos recordes de turismo. Os fundos de investimento imobiliário e as empresas de gestão de ativos imobiliários destacaram-se como os investidores mais ativos nos primeiros seis meses do ano.
Uma parte significativa deste investimento provém do Reino Unido, evidenciando o contínuo interesse internacional pelo imobiliário do sul da Europa. As empresas têm concentrado a sua atenção em ativos de hotelaria e logística, que continuam a ser áreas de grande atratividade.
A análise trimestral revela que o primeiro trimestre de 2025 fechou com um volume de 655 milhões de euros, cerca de 2,6 vezes superior aos 254 milhões do mesmo período em 2024. O segundo trimestre, embora ligeiramente abaixo do anterior, manteve-se robusto, com 576 milhões de euros, o que representa um crescimento homólogo de 21%.
O apetite crescente dos investidores internacionais por ativos de retalho com potencial de renovação e rebranding tem sido um motor importante desta dinâmica. Muitas empresas estão a procurar expandir a sua quota de mercado e melhorar a exposição da carteira num segmento que demonstrou resiliência num contexto macroeconómico desafiante.
Entre as principais transações do semestre, destaca-se a aquisição do Hotel Miragem em Cascais por 125 milhões de euros, realizada por uma joint venture entre as espanholas ARD e Ibervalles. Outra transação notável foi a compra do Anantara Vilamoura, uma propriedade de 280 quartos, pela Arrow, por 75 milhões de euros.
No setor dos escritórios, o fundo BPI Fomento adquiriu o Edifício Ramalho Ortigão 51 em Lisboa por cerca de 68 milhões de euros. Outras transações significativas incluem a compra do Nosso Shopping pela Catterton e a aquisição do Forum Madeira pela Castella Properties, ambas no segundo trimestre.
O setor da hotelaria continua a ser um pilar fundamental do mercado, com um volume de investimento de 330 milhões de euros no primeiro semestre. A Savills destaca que o foco dos investidores está no reposicionamento e renovação de ativos existentes, refletindo uma mudança estratégica em direção à criação de valor.
Apesar dos desafios enfrentados pelo mercado de escritórios, que registou um volume de investimento de 134 milhões de euros, a procura permanece forte. A consultora sublinha que, embora o regresso aos espaços de escritório seja o modelo preferido, a adoção de modelos de trabalho híbrido está a remodelar as exigências do mercado.
Para o restante do ano, a Savills prevê que o mercado imobiliário comercial continue a crescer, com volumes de investimento superiores aos do ano anterior. As yields mantiveram-se estáveis, com os escritórios prime em Lisboa a apresentarem yields de 4,75% e os centros comerciais prime a situarem-se nos 6,5%.
Leia também: O futuro do investimento imobiliário em Portugal.
imobiliário comercial imobiliário comercial imobiliário comercial Nota: análise relacionada com imobiliário comercial.
Leia também: Privatização do ‘handling’ da SATA gera preocupações entre trabalhadores
Fonte: ECO





