A campanha eleitoral em Portugal ganha novos contornos com a passagem dos caças F-35 da Lockheed Martin pelos Açores. Este episódio tem gerado críticas por parte da esquerda, que vê na situação uma oportunidade para atacar o ministro da Defesa, que também é líder do CDS-PP, em plena corrida eleitoral.
O tema central que divide os partidos é o conflito Israel-Gaza. O Partido Socialista (PS) decidiu finalmente tomar uma posição clara, em contraste com as críticas que vinha recebendo de partidos à sua esquerda. O Chega, por sua vez, optou por evitar o tema, preferindo focar na campanha.
Paulo Raimundo, secretário-geral do PCP, não poupou críticas ao líder do Chega, André Ventura, durante uma visita a Moura, onde o PS venceu por uma margem mínima nas últimas eleições. Raimundo referiu-se a Ventura como alguém que não cumpre os compromissos com a população, destacando a sua ausência em várias reuniões da Assembleia Municipal. Este ataque pessoal reflete a tensão crescente entre as diferentes forças políticas.
A passagem dos F-35, que se dirigiam a Israel, reacendeu o debate sobre a política externa de Portugal. Luís Montenegro, presidente do PSD, lamentou um erro processual relacionado com a informação sobre a presença dos caças na Base das Lajes. O PS já anunciou que vai pedir a audição de Nuno Melo e Paulo Rangel na Assembleia da República, após declarações que consideram graves.
Joana Mortágua, do Bloco de Esquerda, também se pronunciou, afirmando que o ministro da Defesa deve lealdade ao Governo português e não a Israel. Rui Tavares, líder do Livre, classificou a passagem dos F-35 como “de grande gravidade” e exigiu explicações no Parlamento. A posição de Tavares é especialmente relevante, dado que o seu partido tem colaborado com o Bloco de Esquerda em várias coligações.
Enquanto isso, André Ventura minimizou a situação, afirmando que o Governo deve evitar “trapalhadas”. Mariana Leitão, da Iniciativa Liberal, preferiu aguardar pelas investigações antes de comentar.
A corrida eleitoral em Lisboa está acirrada, com Carlos Moedas e Alexandra Leitão em disputa. Uma sondagem recente indica que 14,9% do eleitorado ainda não decidiu em quem votar, com uma maior indecisão entre as classes A e C2/D. Este cenário pode influenciar as estratégias dos partidos, especialmente em relação a temas sensíveis como a política de defesa e a relação com Israel.
A passagem dos F-35 pelos Açores não é apenas um tema militar; é um reflexo das tensões políticas em Portugal. A forma como os partidos lidam com esta questão pode ter um impacto significativo nas eleições autárquicas. Leia também: “O que a passagem dos F-35 revela sobre a política portuguesa”.
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Fonte: ECO





