Expectativas dos banqueiros sobre Santos Pereira no Banco de Portugal

Os líderes do setor bancário em Portugal manifestam expectativas positivas em relação ao novo governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira. Contudo, existe um certo ceticismo quanto à possibilidade de simplificação da regulação que atualmente pesa sobre a banca. Durante a conferência Money Summit, organizada pela EY e Expresso, o CEO do BPI, João Pedro Oliveira e Costa, expressou a sua incerteza sobre a eficácia de uma “mais simplificação com a mesma regulação”. Para ele, a situação atual parece não ter solução à vista.

Miguel Maya, do BCP, adotou uma postura mais otimista, elogiando o currículo de Santos Pereira e a sua capacidade de trazer mudanças significativas. Maya sublinhou que as expectativas em relação ao novo governador são elevadas, não só para os bancos, mas para a sociedade em geral. Ele acredita que Santos Pereira pode ajudar a criar um ambiente que permita aos bancos gerar mais valor, enfatizando a necessidade de adaptar as regras à evolução dos contextos económicos.

A regulação tem sido um tema recorrente nas discussões entre os banqueiros. Miguel Maya destacou que, nos últimos cinco anos, foram introduzidos cerca de 13 mil novos regulamentos apenas para o setor financeiro. Ele comparou a carga regulatória a um “fardo”, afirmando que recebe três pedidos de supervisão diariamente, o que exige um esforço considerável para se manter atualizado.

Luís Pereira Coutinho, da Caixa Geral de Depósitos, corroborou a importância da regulação na evolução do setor bancário, mas também reconheceu a existência de exageros que poderiam ser facilmente resolvidos. Ele referiu que as camadas de regulação, muitas vezes sobrepostas e contraditórias, tornam a situação difícil de gerir. A complexidade da regulação é um desafio que, segundo ele, não será fácil de desfazer.

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Pedro Castro e Almeida, do Santander Totta, elogiou o mandato anterior de Mário Centeno e expressou boas expectativas em relação ao trabalho de Santos Pereira. No entanto, ele também alertou que o poder do Banco de Portugal no contexto da União Europeia é limitado. Castro e Almeida criticou o excesso de regulação, mencionando que, apesar da criação do Mecanismo Único de Supervisão, este não incentiva uma agenda de crescimento.

Pedro Leitão, CEO do Banco Montepio, manifestou a sua atenção às declarações de Santos Pereira na sua tomada de posse, mostrando-se expectante em relação ao que está por vir. A expectativa é que o novo governador consiga encontrar um equilíbrio entre a regulação necessária e a liberdade que os bancos precisam para operar de forma eficaz.

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Fonte: ECO

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