Resultados das eleições argentinas impulsionam a extrema-direita

Os resultados das eleições legislativas na Argentina, surpreendentemente favoráveis ao presidente Javier Milei, são vistos como um grande impulso para a extrema-direita, tanto na América Latina como na Europa. Francisco Seixas da Costa, embaixador e analista de assuntos internacionais, afirmou que este resultado é “excelente para a extrema-direita europeia e também para Donald Trump”. À medida que se aproximam as eleições nos Países Baixos, onde o Partido pela Liberdade de Geert Wilders lidera as sondagens, a retórica nacionalista-liberal da Argentina parece servir de combustível para as propostas da extrema-direita na Europa.

Apesar das diferenças significativas entre as agendas políticas, a vitória de Milei foi rapidamente celebrada por diversos partidos de extrema-direita, com Donald Trump a ser um dos primeiros a felicitar o presidente argentino. Os mercados financeiros também reagiram positivamente, com o pré-mercado a indicar um dia promissor, algo que as sondagens não previam. Na abertura das negociações, as ações de grandes bancos argentinos dispararam, com o BBVA a subir 40,2% e o Banco Supervielle a aumentar 50,5%. As empresas do setor energético e imobiliário também registaram valorizações significativas, refletindo o otimismo dos investidores.

Na primeira sessão da semana, a taxa de câmbio oficial fixou-se em 1.430 pesos por dólar, uma queda de 5,6% em relação ao fecho anterior, que tinha atingido um valor recorde. Os títulos soberanos argentinos também mostraram uma tendência de alta, o que sugere uma possível recuperação da confiança dos investidores. Adrián Yarde Buller, economista-chefe da Facimex Valores, comentou que a vitória de Milei reaviva a perspetiva de a Argentina regressar aos mercados internacionais, o que pode levar a uma redução significativa do risco-país.

Embora a vitória de Milei fortaleça a sua posição, a sua aliança, La Libertad Avanza, ainda não possui a maioria nas duas câmaras do Congresso. Para avançar com a sua agenda legislativa, será crucial que o presidente forme uma coligação eficaz num cenário político fragmentado. Um relatório da consultora DBRS sublinha que, apesar dos resultados positivos, a LLA precisará de apoio de partidos provinciais e independentes para aprovar reformas económicas.

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O chefe de gabinete de Milei, Guillermo Francos, afirmou que “o povo entendeu a mensagem do presidente” e confirmou que as primeiras propostas a serem apresentadas ao Congresso incluirão reformas tributária e laboral. O governo está determinado a construir consensos e alcançar mudanças significativas, com propostas a serem apresentadas em dezembro.

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Fonte: Sapo

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