O Banco de Fomento anunciou que a esperada linha ADN, destinada a apoiar micro e pequenas empresas, será lançada apenas no primeiro trimestre de 2026. Esta informação foi revelada pelo CEO da instituição, Gonçalo Regalado, durante a apresentação dos resultados do terceiro trimestre.
A linha ADN, que significa Apoio ao Desenvolvimento de Novos Negócios, tem um histórico de sucesso no Banco Português de Fomento. Regalado destacou várias vantagens desta linha, que inclui a possibilidade de sucessão empresarial, fusões e aquisições, e um processo de candidatura simplificado, tanto para fundos de maneio como para investimentos. “Normalmente, esta linha é dedicada às micro e pequenas empresas”, sublinhou.
O lançamento da linha ADN estava inicialmente previsto para o quarto trimestre de 2025, mas desafios internos levaram ao adiamento. Regalado reafirmou que a prioridade do banco é garantir que esta linha esteja disponível para ajudar as empresas, especialmente num contexto económico difícil.
A linha ADN surge como uma possível solução para o setor da restauração, que enfrenta dificuldades em cumprir as obrigações das linhas de crédito Covid. Segundo um inquérito da AHRESP, cerca de 30% dos empresários do setor já não conseguem honrar esses compromissos. A secretária-geral da AHRESP, Ana Jacinto, revelou que a associação tem dialogado com o Banco Português de Fomento para encontrar soluções urgentes.
As causas para esta situação incluem o aumento dos custos operacionais, impulsionado pela inflação e pela instabilidade geopolítica, além da subida dos preços das matérias-primas e da energia. Ana Jacinto destacou a necessidade de mecanismos que aliviem a pressão sobre as empresas que estão em incumprimento.
Gonçalo Regalado assegurou que o banco está preparado para apoiar as empresas com um conjunto de instrumentos que já permitem responder às necessidades decorrentes das linhas Covid. “O InvestEU oferece novas oportunidades de crédito e investimento, que já estão disponíveis”, afirmou.
O CEO do banco reconheceu que o que se pede é uma recalibração das linhas Covid, mas explicou que estas foram desenhadas para um prazo de seis anos, o que limita a sua adaptabilidade. Regalado lembrou que mais de 70 mil empresas recorreram a estas linhas e acredita que o relançamento da linha ADN será benéfico, especialmente para o setor da restauração, que poderá aceder a um processo mais ágil e com condições mais favoráveis.
A linha ADN, que foi lançada em 2018 e descontinuada em 2022, tinha sido prometida para o primeiro semestre de 2023, mas não chegou a ser implementada. A expectativa é que, com o seu lançamento em 2026, as micro e pequenas empresas possam encontrar um suporte necessário para enfrentar os desafios atuais.
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Fonte: ECO





