Vendas de componentes automóveis em Portugal vão descer em 2025

A indústria de componentes automóveis em Portugal enfrenta mais um ano de desafios, com previsões de uma nova descida nas vendas para 2025. Jorge Castro, vice-presidente da Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel (AFIA), revelou que o volume de negócios deverá atingir cerca de 14,2 mil milhões de euros este ano, o que representa uma queda de 1,4% em relação aos 14,4 mil milhões de euros registados em 2024. Esta tendência de desaceleração é preocupante, uma vez que as exportações, que constituem 85% das vendas totais, também estão a ser afetadas, devendo ficar abaixo dos 12 mil milhões de euros.

As exportações de componentes automóveis, que em 2024 totalizaram 12,2 mil milhões de euros, deverão recuar para 11,7 mil milhões em 2025. Jorge Castro sublinha que esta é uma “ligeira desaceleração” e que representa o segundo ano consecutivo de contração para a indústria nacional. Este setor, composto por 363 empresas, é responsável por cerca de 12% do valor acrescentado bruto da indústria transformadora em Portugal e cerca de 15% das vendas de bens transacionáveis ao exterior.

A pressão sobre a indústria de componentes automóveis é, em grande parte, consequência da quebra da procura por parte dos clientes europeus. O mercado europeu representa 88,3% das exportações portuguesas, com Espanha, Alemanha e França a serem os principais destinos. Apesar das dificuldades, a AFIA destaca que a atividade do setor já está acima dos níveis pré-pandemia, com o volume de negócios a ser 3,5% superior ao de 2019.

Madalena Oliveira e Silva, presidente da AICEP, considera que a indústria automóvel está a passar por um dos momentos mais complexos da sua história. Ela aponta que a competitividade do setor é afetada por questões geoestratégicas e por um quadro regulatório que apresenta contradições. “Queremos ser verdes, mas os custos associados a essa transição não são suportados pela indústria, o que nos faz perder competitividade”, lamenta.

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A presidente da AICEP destaca ainda a importância estratégica de Portugal para a cadeia de valor automóvel, facilitando o fornecimento para OEM na Ibéria e na França. Contudo, os custos logísticos para outros países europeus encarecem os produtos portugueses. A qualidade dos trabalhadores e a performance das empresas são, segundo ela, fatores que compensam esses custos.

Oliveira e Silva enfatiza a necessidade de um aumento significativo de investimento em Investigação e Desenvolvimento, mas alerta que a regulamentação europeia é complexa e dificulta o acesso a apoios nacionais. Para ela, é crucial reformar os processos regulatórios que afetam o investimento e tornar a legislação mais ágil e alinhada com as necessidades da indústria.

Leia também: O impacto das novas regulamentações na indústria automóvel em Portugal.

componentes automóveis componentes automóveis Nota: análise relacionada com componentes automóveis.

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Fonte: ECO

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