A formação de opinião está a ser cada vez mais influenciada por algoritmos, em vez de ser mediada por jornais, televisão ou interações pessoais. Esta afirmação é feita pelo advogado Adolfo Mesquita Nunes, que, em entrevista à Lusa, discute as implicações da inteligência artificial na política contemporânea. O seu livro, “Algoritmocracia”, surge da observação da crescente polarização política na Europa, onde os populistas têm ganho força eleitoral.
Mesquita Nunes destaca que a forma como consumimos informação mudou drasticamente. Antigamente, as pessoas procuravam ativamente notícias em jornais ou telejornais. Hoje, a informação chega até nós de forma passiva, através de vídeos, paródias e artigos que muitas vezes não são informativos. Essa mudança é impulsionada por algoritmos que determinam quais conteúdos nos são apresentados, em que ordem e a que horas.
É crucial refletir sobre esta nova realidade. O advogado salienta que a formação da opinião está a ser mediada por estruturas que não conhecemos e que não controlamos. “Estamos a ser guiados por algoritmos que definem o que lemos e vemos, sem que tenhamos a capacidade de questionar ou contrabalançar essas escolhas”, afirma Mesquita Nunes.
Ele compara a situação atual a um cenário distópico, onde um governo controla a informação que chega aos cidadãos. Embora não sejam os governos, os algoritmos desempenham um papel semelhante ao determinar o que consumimos. Esta estrutura algorítmica é fundamental para a formação da nossa opinião, moldando-a de maneira que muitas vezes não percebemos.
Os algoritmos não têm a intenção de convencer, mas sim de captar a nossa atenção, maximizando o tempo que passamos online. Mesquita Nunes explica que estes sistemas são projetados por especialistas que compreendem o comportamento humano, aproveitando-se de emoções como choque, medo e indignação para manter os utilizadores engajados.
Apesar de as emoções e preconceitos humanos serem inerentes, os algoritmos amplificam essas reações, influenciando a formação de opinião de forma desproporcional. “Não existe uma entidade a controlar diretamente o que pensamos, mas a estrutura algorítmica que nos rodeia tem um impacto significativo”, conclui o advogado.
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Fonte: ECO





