Energia é o epicentro da crise climática, diz especialista

A energia é considerada o “epicentro da crise climática”, segundo Nelson Lage, presidente da ADENE — Agência para a Energia. De acordo com dados, cerca de três quartos das emissões associadas à crise climática provêm do setor energético. Lage sublinha que, embora a energia represente um desafio, também é a solução para mitigar as alterações climáticas.

Para que a energia se torne uma aliada na luta contra as alterações climáticas, é fundamental transformar a forma como é produzida e consumida. “Precisamos de uma energia mais renovável e eficiente, que seja também mais acessível”, afirma o líder da ADENE.

Os dados da Agência Internacional de Energia indicam que o consumo energético continuará a aumentar. Neste sentido, Lage defende que o crescimento das necessidades energéticas deve estar alinhado com as metas climáticas. Ele identifica três desafios principais para a evolução do setor: velocidade, acessibilidade e financiamento.

Lage destaca que, embora a transição dos combustíveis fósseis para fontes renováveis esteja a ocorrer, “está a acontecer demasiado devagar”. Portugal tem sido um exemplo positivo neste processo e, segundo Lage, é hora de o país assumir um papel de liderança.

Em relação à resistência à transição energética, especialmente por parte da administração dos Estados Unidos, Lage reconhece a existência de “forças de bloqueio expressivas”. No entanto, ele acredita que o setor energético vê isso como uma oportunidade. “Precisamos de acelerar e ter outras regiões a liderar este caminho”, conclui.

Sobre a questão da acessibilidade, Lage alerta para a desigualdade energética que ainda persiste. Ele defende que a COP deve abordar a transição energética como uma “transição social”. Quanto ao financiamento, o presidente da ADENE aponta que os fluxos de capital estão concentrados na Europa e América do Norte, dificultando a implementação de projetos em regiões como África.

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A resolução dos problemas energéticos requer “variadíssimas soluções”, desde o hidrogénio verde até à captura de carbono. “O que precisamos é de escala”, afirma Lage, que espera que a COP promova mais cooperação entre os países.

Para que a cimeira climática tenha um impacto real, Lage defende que as metas devem ser claras até 2030, enfatizando que números concretos são essenciais para forçar compromissos e ações. “Temos de estabelecer percentagens e números, pois isso leva à ação”, conclui.

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Fonte: ECO

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