Uma recente sondagem divulgada pelo European Council on Foreign Relations (ECFR) revelou que Portugal é o país europeu onde o apoio ao investimento na defesa mais cresceu desde 2025. Em novembro desse ano, apenas 26% dos portugueses apoiavam um aumento do investimento na defesa, mas esse número subiu para 42% em maio de 2026. Este aumento significativo coloca Portugal à frente de outros países europeus em termos de apoio popular a esta questão.
A sondagem, que abrangeu 15 países europeus, mostrou que 59% dos inquiridos em Portugal estão a favor da criação de uma dívida comum para financiar a defesa. Este valor é superior ao de países como Dinamarca (56%), Países Baixos (55%) e Espanha (53%). Os resultados indicam uma mudança de mentalidade entre os portugueses, que cada vez mais reconhecem a importância de uma defesa autónoma, especialmente num contexto de incerteza internacional.
Além disso, a sondagem revelou que a maioria dos europeus deseja reduzir a sua dependência dos Estados Unidos em matéria de segurança. Em Portugal, o apoio ao aumento do orçamento de defesa é notável, com 42% dos inquiridos a favor, muito acima da média europeia, que subiu de 18% para 22% este ano. Apenas a Polónia e o Reino Unido apresentam percentagens superiores.
Os portugueses também se mostram favoráveis ao envio de tropas nacionais para uma missão de paz na Ucrânia, com 53% a apoiar esta ideia. Este número coloca Portugal em quarto lugar entre os países que mais apoiam esta medida, atrás da Suécia (61%), Espanha (55%) e Dinamarca (54%). Por outro lado, 50% dos portugueses manifestaram apoio ao alargamento da União Europeia para incluir a Ucrânia, refletindo uma visão positiva em relação ao país.
A sondagem também destaca que 58% dos inquiridos acreditam que as relações com os Estados Unidos poderão melhorar após a saída de Donald Trump da presidência. A coautora da sondagem, Jana Kobzova, sublinhou que existe um apoio crescente à redução da dependência de Washington, com os europeus a mostrarem-se mais abertos a um aumento da despesa em defesa.
No que diz respeito à NATO, apenas 29% dos inquiridos nos 15 países apoiam a criação de uma organização de defesa alternativa. Contudo, Portugal lidera este apoio, com 38% a considerar a ideia “muito boa” ou “boa”. Este dado revela uma disposição dos portugueses para explorar novas formas de colaboração em segurança, além da NATO.
Por fim, em relação à energia, 47% dos portugueses consideram que seria uma “má ideia” retomar as importações de gás da Rússia, o que demonstra uma crescente preocupação com a segurança energética.
A sondagem foi realizada entre 1 e 19 de maio, envolvendo mais de 18.000 cidadãos de diversos países europeus, com uma margem de erro de 4,19% em Portugal, onde foram inquiridas 1.003 pessoas. Leia também: O impacto da guerra na Ucrânia na segurança europeia.
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Fonte: ECO





