Michael Burry, o investidor que ficou famoso por prever a crise imobiliária de 2008, está novamente a chamar a atenção dos mercados financeiros. Desta vez, Burry, através da sua empresa Scion Asset Management, fez uma aposta de mil milhões de dólares (cerca de 860 milhões de euros) na queda das ações de empresas ligadas à inteligência artificial, como a Palantir e a Nvidia. Esta estratégia levanta questões sobre a possibilidade de estarmos a viver uma bolha na área da inteligência artificial.
Burry, que ganhou notoriedade com o filme “The Big Short”, decidiu avançar com um short na Palantir, avaliando a sua aposta em 912 milhões de dólares (788 milhões de euros), e um short na Nvidia, que vale 186 milhões de dólares (160 milhões de euros). A reação a esta aposta não se fez esperar. Alex Karp, CEO da Palantir, considerou a decisão de Burry “completamente louca”, afirmando que é estranha, especialmente porque ambas as empresas estão a beneficiar significativamente da evolução da tecnologia de IA.
Por outro lado, Jensen Huang, CEO da Nvidia, expressou a sua preocupação sobre a competição entre os Estados Unidos e a China na corrida pela inteligência artificial. Durante uma cimeira do “Financial Times”, Huang indicou que a China está a poucos “nanossegundos” de distância dos EUA, sublinhando a importância de vencer esta corrida tecnológica.
A questão que se coloca agora é se realmente existe uma bolha na inteligência artificial. Larry Fink, CEO da BlackRock, acredita que os investimentos atuais não são propriamente na IA, mas sim na cloud, e que o capital investido será, na maioria dos casos, bem aplicado. Em contrapartida, Jared Bernstein, antigo presidente do Conselho de Assessores Económicos dos EUA, alerta que os investimentos em IA superam em um terço os realizados durante a bolha das dotcom, sugerindo que existem analogias suficientes para justificar a preocupação.
Pat Gelsinger, ex-CEO da Intel, foi ainda mais direto, afirmando que estamos a viver numa bolha. Uma sondagem do Bank of America revelou que 54% dos gestores de fundos acreditam que as ações de empresas de IA estão numa bolha, enquanto 38% não partilham dessa opinião. Morten Wierod, CEO da ABB, também se mostrou cético sobre a existência de uma bolha, mas reconheceu limitações na capacidade de construção que não acompanham o ritmo dos novos investimentos.
Por fim, estrategas do UBS indicam que, apesar de muitos acreditarem que estamos numa bolha de inteligência artificial, esta ainda está “longe do pico máximo”. O relatório do UBS prevê que os gastos com tecnologia de IA atinjam os 375 mil milhões de dólares (324 mil milhões de euros) este ano e 500 mil milhões de dólares (432 mil milhões de euros) em 2026. A discussão sobre a bolha da inteligência artificial continua a ser um tema quente nos mercados financeiros.
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Fonte: Sapo





