Espanha desvia 10 mil milhões de euros de fundos europeus para pensões

A utilização de fundos europeus, inicialmente destinados à recuperação económica, está a gerar controvérsia em Espanha. O governo de Pedro Sánchez desviou cerca de 10 mil milhões de euros de recursos do Mecanismo de Recuperação e Resiliência (MRR) para financiar pensões. Esta decisão foi revelada pelo Tribunal de Contas espanhol, que identificou duas modificações orçamentais, totalizando 2.389 milhões de euros, autorizadas em novembro de 2024.

Os fundos europeus, que deveriam ser aplicados em projetos de futuro, como energias renováveis e modernização industrial, foram utilizados para cobrir despesas correntes, nomeadamente pensões de funcionários públicos e complementos das pensões mínimas. O Tribunal de Contas, embora não tenha falado em fraude, expressou preocupações sobre a justificação legal para estas alterações, apontando para uma incerteza sobre a aplicação das regras que regem o uso dos créditos sobrantes.

A Comissão Europeia está a analisar a situação e mantém contactos com as autoridades espanholas para esclarecer os factos. É importante notar que o regulamento europeu estipula que os fundos devem ser utilizados de forma a gerar benefícios adicionais e não podem substituir despesas nacionais ordinárias, como é o caso das pensões.

Além dos 2.389 milhões de euros, o governo espanhol já havia redirecionado, em 2023, pelo menos 8.500 milhões de euros de fundos europeus para financiar pensões e outras despesas sociais, cancelando projetos inicialmente previstos. Este desvio levanta questões sobre a sustentabilidade do sistema de pensões em Espanha, que enfrenta uma crise orçamental prolongada.

O país opera sob um orçamento prorrogado há mais de dois anos, o que limita a capacidade de investimento e aumenta a pressão sobre as contas públicas. Em 2024, a despesa com pensões atingiu 206.360 milhões de euros, um aumento significativo em relação ao ano anterior. O Tribunal de Contas alertou ainda para o défice acumulado da Segurança Social, que se cifrou em 98.526 milhões de euros no final de 2023.

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O ministro da Economia, Carlos Cuerpo, minimizou a polémica, afirmando que se trata de uma questão técnica relacionada com a prorrogação orçamental. No entanto, partidos da oposição, como o PP e o Vox, questionaram a Comissão Europeia sobre a legalidade deste desvio.

A questão que se coloca é se os fundos europeus, criados para transformar a economia, podem ser utilizados para cobrir despesas correntes, como as pensões, sem comprometer os objetivos de reforma assumidos por Espanha perante a União Europeia. A resposta a esta dúvida poderá ter implicações significativas para a gestão financeira do país e para a confiança nas instituições europeias.

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fundos europeus Nota: análise relacionada com fundos europeus.

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Fonte: ECO

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